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Half Bad, de Sally Green


Sally Green
Editora Intrínseca
304 páginas
1ª edição

Sinopse:
Nathan, filho de uma bruxa da Luz com o mais poderoso e cruel bruxo das Sombras. O adolescente vive com a avó e os meios-irmãos e é visto como uma aberração por seus pares. O Conselho dos Bruxos da Luz vê nele uma ameaça, que precisa ser domada ou exterminada. Prestes a completar dezessete anos – época em que todos os bruxos passam por uma cerimônia em que seu dom é finalmente revelado bem, como sua denominação como bruxo da Luz ou das Sombras –, agora Nathan terá que correr contra o tempo para achar o pai, que jamais teve oportunidade de conhecer, e salvar a própria pele.

Quase todo mundo já está farto de livros YA protagonizados por bruxos e afins. O gênero está saturado de histórias desse tipo, com protagonistas rasos e ruins e tramas que são mais do mesmo e não falam de nada novo. No meio disso tudo, Half Bad, um lançamento ainda fresco nas prateleiras, é um verdadeiro achado e uma história com potencial, mas que, até o momento, tem feito menos barulho no Brasil do que merecia.

Assim como uma certa escritora britânica que todos conhecem, Sally Green resolveu contar uma história sobre bruxos, e criou seu próprio universo para isso. Durante a leitura, é impossível não lembrar em algum momento de Harry Potter, embora as semelhanças entre as duas obras não vão muito além do tema. O universo que Green criou, apesar de simples e despretensioso, é extremamente original, funcionando de uma maneira surpreendente. 

Os bruxos de Sally são divididos em duas raças (chamemos assim, embora essa palavra nunca tenha sido usada no livro): Bruxos da Luz e Bruxos das Sombras. Bruxos da luz são maioria e não se misturam em momento algum com Bruxos das Sombras, que são os renegados que se recusam a viver misturados com os félixes (não-bruxos), como fazem os seus opostos.

O protagonista, Nathan, é um menino que desde pequeno foi uma exceção. Seu pai, Marcus, é um poderoso e violento bruxo das trevas caçado abertamente pelo Conselho dos Bruxos da Luz. Sua mãe é uma bruxa da Luz que teve o marido assassinado por Marcus. As circunstâncias da concepção de Nathan são um mistério. O menino é criado pela avó materna e pelos meio-irmãos. Nunca conheceu o pai, que vive foragido e nunca tentou contato, nem a mãe, que está morta. Nathan é o único bruxo meio-código: Meio-Luz e Meio-Sombra. Todos os anos ele precisa ser levado ao Conselho, onde é submetido a testes para que possa ser designado seu código definitivo e para que ele possa ser rotulado, enfim, como bruxo da luz ou das sombras.

Sally Green usa a história para falar de temas fortes, como racismo, preconceito e os motivos que levam uma pessoa a ser “má” ou “boa”. Nathan, desde muito pequeno, já é discriminado, agredido e ameaçado pela própria irmã por ser diferente, mestiço. O bullying que Nathan sofre na escola rende cenas pesadas e violentas, que servem bastante como reflexão sobre a forma como os adolescentes lidam com a diversidade. Em um livro razoavelmente curto, a autora explora isso tudo sem pesar na história, que não deixa de ser um romance ágil e empolgante de aventura.

O Conselho está constantemente avaliando e rastreando Nathan, pois acham que ele é sua maior chance de chegar a Marcus. Conforme ele cresce, o desejo do menino de conhecer o pai só aumenta, assim como seu ódio pelo Conselho por todo o sofrimento que lhe causa. Isso o faz, em alguns momentos, se perguntar se ele é mais parecido com o pai do que pensava. Se sua metade má não prevalece sobre a boa. 

A história é cheia de cenas de ação fantásticas, principalmente aquelas em que os poderes dos bruxos acabam figurando. Eles se assemelham mais a habilidades como as dos mutantes de X-Men do que com poderes como os dos bruxos de Harry Potter. 

Ao completar dezessete anos, todo bruxo deve receber três presentes e beber o sangue de um bruxo mais velho de sua família. Esse ritual de iniciação é essencial, pois é depois dele que se manifesta e se desenvolve o dom de cada um. Os dons podem ser bem variados, indo desde o preparo de poções, que é o mais comum, até soltar fogo pela boca e pelas mãos, se transformar em animais, ler mentes e desacelerar o tempo. Geralmente, os dons são os únicos poderes que os bruxos têm. A originalidade da autora ao discorrer sobre as tradições dos bruxos e as características que os diferem dos félixes é impressionante em sua simplicidade.

Em uma trama ágil, cheia de cenas de ação e sequências quase cinematográficas, Half Bad é uma pequena pérola entre os outros livros do gênero. Sally Green estreia com louvores com este livro, que me surpreendeu pela maturidade e pelo tom sombrio da história. Definitivamente, um livro que merece cada segundo investido, e que deixa um desejo imenso de saber mais desse universo e do restante da história de Nathan. Uma surpresa e tanto e, definitivamente, um dos melhores YAs que já  li.


The Angel Experiment, de James Patterson


Ultimamente, tenho evitado ler YAs. Isso se relaciona seriamente com aquela minha teoria da falta de criatividade no cenário literário de YAs, que foi tema de um outro texto meu. ~link do post~  Então me propus que evitaria ler YAs por algum tempo, exceto por um que eu já vinha desejando por meses. O livro em questão era The Angel Experiment, o primeiro da série Maximum Ride, de James Patterson.
O que me despertou o interesse no livro foi a premissa: crianças que haviam passado por experiências genéticas e desenvolveram asas. Só isso me bastou para imaginar uma porrada de tramas possíveis. Particularmente, adoro ficção científica e decidi dar uma chance ao livro. No final do ano passado, lembro de ter visto uma notícia falando sobre os lançamentos nacionais mais esperados de 2013, e entre eles estava Maximum Ride, que teve os direitos de publicação comprados pela editora Novo Conceito, mas não tem uma data para o lançamento do livro.
Como qualquer outro leitor, eu já tinha cruzado com livros de James Patterson por aí. O cara é desses escritores de suspense e livros policiais que parecem lançar um livro novo a cada mês, e não sei se isso é uma coisa boa. Há boatos na internet de que ele use ghost writers – isso justificaria o monte de livros – e, se for verdade, é realmente vergonhoso. Seja como for, só soube desse tipo de boato depois de terminar de ler o primeiro livro de Maximum Ride.

A capa da minha edição. 


Corri atrás do livro com uma ansiedade incomum. Já fazia algum tempo que eu não ficava com tanta vontade de ler um livro. A falta de uma data para o lançamento da tradução me deixou ainda mais ansioso e decidi não esperar por ela. Numa livraria pequena aqui perto, onde eu menos esperava, encontrei o livro e o levei para casa sem pensar duas vezes. Quando comecei a ler, percebi que eu havia me enganado ligeiramente a respeito do que eu achava da série.
Primeiro, eu achava que Maximum Ride era o nome de algum projeto, ou aparelho científico, ou algo relacionado à história da série. Eu li as sinopses e via um personagem chamado Max. Quando estava, de fato, lendo o livro, descobri que Maximum Ride é o nome desse personagem e que ele é uma menina. Quem diabos se chama Maximum Ride? James Patterson poderia pensar em um nome mais legal para a coitada, né? Mas vamos lá. Max é a mais velha de um grupo de crianças que vivem sozinhas em uma escondida montanha. Eles são fugitivos de uma espécie de organização de pesquisa científica a que se referem como The School – A Escola.
Essa tal organização, que criou as crianças aladas, realiza testes nelas. Injetam substâncias nocivas e venenos em seus corpos só para ver como eles reagem a elas, os fazem passar por desafios físicos para obterem um gole sequer d’água. A Escola também criou uma segunda “raça” de mutantes, homens na maioria das vezes, que desenvolveram grande força física, mas que são capazes de se transmutarem em meio-lobos com apetite pelos alados. Essa segunda leva de mutantes foi mais aperfeiçoada do que a anterior, porque um deles, ao quarto ano de vida, já estava com um corpo adulto completamente desenvolvido. Esses outros mutantes, que Max e os amigos chamam de Erasers, os caçam a mando da Escola.
A história não é nenhuma narrativa excepcional. A trama se desenvolve a partir do momento em que a casa das crianças fugitivas é atacada por Erasers e eles conseguem capturar a mais nova deles, Angel, de seis anos de idade. A idade nesse livro é um problema. Max e Fang são os mais velhos, ambos com 14 anos, mas, em muitos momentos, eles agem como se fossem bem mais velhos. Gasman e Nudge também agem como se fossem bem mais velhos do que sua verdadeira idade. Iggy é o único que parece ter a mentalidade correta no grupo. Não me lembro de sua idade ser citada no livro, mas, segundo a Maximum Ride Wiki, ele teria 14 anos. Iggy é um dos meus membros favoritos do bando. Ficou cego quando a Escola estava fazendo testes para melhorar a visão dos espécimes. Ele e Nudge são os meus favoritos. Nudge é uma menina de onze anos que não para de falar em momento algum e que é engraçada em algumas situações da história.
No mesmo padrão de cenas de ação acontecendo em sequência umas às outras de Percy Jackson, o livro se desenvolve quando o Bando decide voltar à Escola, de onde eram felizes por terem escapado um dia, para resgatar Angel. A sede da Escola fica do outro lado do país, e é claro que eles fazem esse percurso voando. Embora o autor justifique que eles voem alto, acima das nuvens, achei difícil engolir que ninguém notasse gente diferenciada voando por aí.
Mais para o final do livro, temos ótimas cenas de ação. Uma situação conflitante acontece com Max, desafiando seu caráter como heroína da história. Gostei das lutas finais. Há uma ideia muito repetida mais para o fim do livro que parece um grande clichê dos anos 80-90, mas que me deixou curioso sobre seu real significado. Ser mais claro poderia revelar um spoiler. Se você gosta de YAs e está procurando algo para entreter a cabeça, para se divertir e arejar as ideias, eu lhe indico Maximum Ride. É um livro do qual eu esperava muito e que não é realmente grandioso, mas que, ao mesmo tempo, não me decepcionou. Continuo acreditando na premissa. Ao fim, entendi melhor o título. Comecei o livro imaginando que o tal “Angel Experiment” fosse o nome do procedimento pelo qual as crianças passaram para desenvolver asas, o que as deixariam com a aparência semelhante à de anjos, mas é mais plausível que o nome se refira às experiências pelas quais Angel passa na Escola. Essas experiências, aliás, a deixam um tanto quanto creepy.
No fim da edição, há alguns extras: postagens do blog de Fang e Nudge, sobre uma investigação que aconteceria entre o primeiro e o segundo livro; um preview de School’s out forever, o segundo livro da série; um pequeno preview de Wizard and Witch, publicado recentemente no Brasil como Bruxos e Bruxas.


Lobos Não Choram, de Patricia Briggs


            Hoje O Lobo os chama para conhecer a história de Anna Latham  e Charles Cornic. Anna foi transformada contra sua vontade e é a loba menos importante de sua alcateia. Uma loba submissa que era abusada por sua alcateia – principalmente pelo babaca do Justin, o mesmo que a transformou –  e descaradamente enganada por seu Alfa, que, por sua vez, não fazia nada em relação aos abusos que ela sofria. Charles é matador de aluguel, braço direito e filho de Marrok, o Alfa da América do Norte. Um cara grande em tamanho, coração e cabelo. Hahahaha.

Lobos Não Choram, de Patricia Briggs, 1° Edição
             O livro é dividido em duas partes, tecnicamente. A primeira é o livro propriamente dito, onde há o desenrolar da história em si, e a segunda é o conto que deu origem à série, que apresenta os protagonistas e o contexto em que se conhecem, então é opção sua ler o conto antes ou depois de ler o livro. Eu particularmente não segurei minha curiosidade e li o conto primeiro, então não sei qual a sensação de ler o conto depois de ter lido o livro todo. Quem fizer isso, por favor, deixe sua opinião nos comentários.

             Anna suspeita que seu Alfa tenha sérios envolvimentos com um assassinato recente, então pede ajuda ao Marrok, que envia Charles para resolver o caso. Quando se encontram pela primeira vez, a confusão e surpresa  pelos sentimentos incitados entre eles é mútua, até que Charles os entende e revela que eles são gerados por seu lobo, que a escolheu como companheira.
           – Meu irmão-lobo tomou você como companheira. Se você não significasse nada para mim, eu nunca permitiria tal abuso considerando tudo o que você passou desde a sua Transformação. Mas você é minha, e pensar em você ferida, sem ser capaz de fazer nada para ajudar, é uma cólera que nem mesmo um lobo Ômega pode acalmar.
            Após a resolução do problema em sua alcateia, o Marrok oferece abrigo a ela, que, por sua vez, aceita, indo morar com Charles, obviamente, já que ela percebeu que, apesar de ser um matador de aluguel e ter cara de mal, Charles é um homem maravilhoso. Ele ajuda Anna a se adaptar a seu novo lar e, aos poucos, a livra de sua ignorância. E é ele também quem lhe diz que ela é um lobo Ômega.

            Conhecemos os amigos e a família de Charles e do Marrok e outras pessoas da grande alcateia de Aspen Creek. Dentre eles, Asil, um dos lobos mais velhos – se não “o” mais velho da alcateia, que tem como diversão particular irritar Charles ao máximo –, que parece interessadíssimo em cortejar Anna.

            E então Charles e Anna são enviados pelo Marrok para caçar um lobo desgarrado que atacou civis nas montanhas da cidade. E, conforme a caçada se acirra e se torna cada vez mais perigosa, eles descobrem que a mente maligna por trás de tudo isso tem mais a ver com o passado secular de Asil do que todos sequer imaginam.  E até sua esposa morta (?) resolve aparecer no meio dessa confusão.

            Esse livro foi um dos que mais me surpreendeu e que eu mais amei. Não sei se foi por eu não ter criado muitas expectativas sobre ele, ou se é por ele ser realmente bom, ou talvez por ele ser o primeiro que eu li com protagonistas lobos. Enfim, o livro é em terceira pessoa, médio ­­– 365 páginas, incluindo o conto – e muitíssimo bem contado. Percebem-se e entendem-se muito bem as multifaces e sentimentos dos personagens principais, as descrições feitas – tanto de lugares quanto de pessoas – são muito bem dosadas e o principal: não é um romance meloso! Me lembrou um pouco “Filhos do Éden”, do Eduardo Spohr, nesse quesito. Há romance? Sim. Porém esse não é o centro de toda a trama, entendem? E também é um romance entre adultos, então não há tantos coraçõezinhos flechados  flutuando ao redor da cabeça dos protagonistas. Simplesmente amei!

             Lá fora, a série conta com três volumes publicados, mais o conto que deu origem à série. Aqui no Brasil, a editora responsável pela publicação é a Novo Século, que já publicou os dois primeiros volumes e também o conto.

            Capa americana:

  
A nota?
Obviamente!
    

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Interligados – Aden Stone e a batalha contra as sombras, de Gena Showalter


Gena Showalter
Editora: Universo dos Livros
ISBN: 9788579301414
Ano: 2010
Páginas: 448

Sinopse:
A maioria das pessoas de 16 anos de idade têm amigos. Aden Stone tem quatro almas humanas que vivem dentro dele. Um pode viajar no tempo. Um pode levantar os mortos. Um pode prever o futuro. E outro pode possuir outro humano. Todo mundo pensa que ele é louco, essa é arazão pela qual ele passou sua vida inteira entre instituições para doentes mentais e reformatório. Tudo isso está prestes a mudar. Durante meses Aden tem tido visões de uma menina bonita – uma moça que carrega segredos antigos. Uma menina que quer salvá-lo ou destruí-lo.


Hoje os convido a adentrar no universo sobrenatural e sombrio que é o mundo de Aden Stone – mais conhecido com Aden –, o garoto que vive com quatro almas presas em sua mente, almas essas que possuem poderes especiais: Eve pode voltar no tempo, Elijah prevê mortes, Caleb pode possuir corpos alheios e Julian pode acordar os mortos.

Como elas foram parar ali? Ninguém sabe. Se e/ou como vão sair? É o que Aden tenta descobrir.

Aden é um garoto de 16 anos, órfão, que foi jogado de um hospital psiquiátrico a outro, como esquizofrênico, por falar com “pessoas” que ninguém mais vê. Ele acabou de ser transferido para uma nova cidade, na qual Elijah previu sua morte e também seu encontro com uma bela menina de cabelos negros. O menino fica desesperado para conhecê-la, mesmo sabendo que, nessa nova cidade, encontrará um final definitivo para si próprio. E, na sua primeira saída à cidade, adivinhem o que acontece?

A lápide começou a se sacudir.
Julian suspirou, parecendo um eco do suspiro de Aden. Sei que já enfrentamos situações piores e sei também que  eu fui o responsável por elas.
Ótimo. Um festival de lamentos. Essa terceira voz, frustrada, era de uma mulher, que também habitava sua cabeça. Aden ficou surpreso que seu outro “hóspede” (como ele às vezes chamava as almas presas dentro de si) também não tenha começado a falar. O significado de “paz e tranquilidade” era algo que eles não compreendiam.  Ei, garotos, será que podemos deixar a festinha para depois e matar logo esses zumbis antes que eles surjam por todos os lados, ganhem força e sapateiem em nossos traseiros?
– Sim, Eve – concordaram Aden,  Julian e Elijah em uníssono.

Até que, de repente, os zumbis caem e as vozes em sua mente gritam e cessam. E então, ao longe, ele vê uma garota e se questiona se ela não seria a garota das visões de Elijah.

A garota observou o local.
Um segundo depois, seus olhares se encontraram. Ocorreu uma explosão de sons enquanto o mundo se reduziu, de forma repentina, àqueles olhares – e então, ao vazio. Nenhum movimento. Nenhuma batida dos corações, sequer o ruído dos pulmões se enchendo de ar. Não havia hoje, nem amanhã. Só havia aqui e agora.
Eles eram as duas únicas pessoas no planeta.
– Isso é paz – Aden pensou, em choque. A verdadeira paz. Calma e silêncio, sem nenhuma voz em sua cabeça pressionando-lhe ou lhe insultando, disputando sua atenção.

Essa garota é Mary Ann Gray, também de 16 anos, órfã de mãe, namorada de um jogador de futebol babaca e aluna nota 10 que faz de tudo para não desapontar o pai, que, afinal de contas, é tudo o que tem além de sua melhor amiga Penny Parks. Ela, por sua vez, tenta, a todo custo, fazer Mary Ann desistir do “Plano de 15 Anos”, que provavelmente não será cumprido por causa da chegada de Aden – a quem ela se sente estranhamente ligada – e de novos acontecimentos em sua vida pacata.

Aden “convence” Dan – dono do rancho onde ele mora e responsável por ele – a deixá-lo frequentar uma escola comum e, logo em seguida, fica doente por causa do veneno dos zumbis que o atacaram no cemitério. Durante esse período, tem alucinações com uma outra morena, dessa vez de olhos azuis.

Essa segunda morena é a irresistível princesa Victoria, uma vampira filha de Vlad, O Empalador, que vai à procura de Aden para questionar o porquê de ele ter atraído a nação vampira e outras criaturas sobrenaturais para perto de si. Ela o convida, em nome de seu pai – que parece querer “conhecê-lo melhor” –, para o baile de ressurreição do rei vampiro, no dia de Haloween.

Mary Ann, uma semana após conhecer Aden, vê, em seu gramado, um lobo negro que parece pronto para atacá-la... só que não. Ele simplesmente a  acompanha até a escola – ainda em forma de lobo – e, quando vai também buscá-la, começa a falar em sua mente. E essas caminhadas acabam tornando-se um hábito, fazendo com que ela e o Lobisomem – que é também guardião de Victoria – criem um tipo de amizade ou algo mais.

Para proteger Mary Ann e Aden, em nome de Vlad, Victoria e seu lobo guardião começam a estudar no mesmo colégio que os dois e, juntos, os quatro amigos tentam encontrar as respostas para a “atração” de Aden. Respostas essas que têm mais a ver com o passado de Marry Ann do que ela imagina e que resultarão na libertação de um dos espíritos presos em Aden.

Eu li esse livro há um ano e infelizmente tinha me esquecido do quão bom ele é! É um livro de tamanho médio, em terceira pessoa e repleto de informações, mas sem deixar o livro chato ou cansativo. É um romance nada comum, sem mocinhas, bad-boys nem triângulos amorosos. Cada protagonista tem defeitos, qualidades e marcas que, apesar da sobrenaturalidade do enredo, acabam tornando-os quase humanos. Cada questionamento – mesmo que pequeno – feito durante a trama ganha uma resposta bem construída ou pelo menos uma promessa de uma, já que é uma trilogia. Porém o maior diferencial dessa história foi a autora ter posto lobisomens e vampiros não como inimigos, mas sim como protetores e protegidos:

– Pensei que vampiros e lobisomens fossem inimigos. Quero dizer, Aden comentou que os vampiros lhe disseram para ficar longe de você.
– Ela é bastante diferente, essa vampira.
– Então vocês não são inimigos?
E por que subitamente ela queria que eles fossem inimigos? O que havia de errado com ela? Os dois estavam namorando? Ela rangeu os dentes.
– Não. Vlad, o primeiro dos imperadores, deu o mesmo sangue que ele bebeu, o sangue que o mudou, para seus queridos animais. Da mesma forma, eles começaram a mudar. Eles logo se tornaram capazes de tomar a forma humana, embora continuassem com seus instintos animais. Naqueles primeiros tempos, eles eram cruéis, ferozes e tentariam – e conseguiriam – comer todos que vissem pela frente. As pessoas que eram atacadas e que sobreviviam começaram a mudar também, embora mantivessem seus instintos humanos. Esse era o meu povo. Vlad os ajudou, cuidou deles. Como retribuição, meu povo prometeu proteger o povo de Vlad.

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O mercado editorial e a sua pedra filosofal: YAs



Todo mundo gosta de YAs e eu tenho que assumir que também gosto, mas nos últimos tempos o gênero tem se tornado tão saturado e repetitivo que eu não aguento mais ler uma sinopse que começa com “Fulana é uma menina normal, mas sua vida está prestes a mudar para sempre quando conhece Cicrano, o príncipe dos demônios vampiros do reino dos zumbis da febre amarela.”. Simplesmente não dá.
          Para quem caiu de paraquedas direto de Saturno, ou vive em uma caverna, ou esteve congelado em uma nave do Caveira Vermelha nos últimos 70 anos, YA é a abreviação de Young Adult, o gênero Jovem Adulto, indicado para adolescentes e pós adolescentes ainda não adultos. Normalmente os livros deste gênero têm uma prosa simples, sem ser detalhistas em demasia, personagens adolescentes e costumam tratar, muitas vezes em segundo plano, um pouco dos “dilemas” do cotidiano dos jovens. Um movimento muito forte dentro dos YAs é o Fantasy, que por si só tem outros submovimentos como o Urban Fantasy, Modern Fantasy, Medieval, o famigerado Distopia e trocentos outros.
          O que acontece é que, há algum tempo, alguém descobriu a galinha dos ovos de ouro, a Pedra Filosofal dos escritores, e isso gerou uma avalanche de histórias cada vez mais manjadas, sempre iguais, sobre a Fulana que vive sua vida normal e cairá no mundo mágico de algum jeito. Dá pra dizer que esse boom de fantasia, que alavancou o movimento que ainda não cessou até hoje, começou com Harry Potter, que todo mundo sabe ser uma das publicações mais bem sucedidas que já se viu até hoje. Antes de Harry Potter, já existiam outros livros memoráveis, como os de Philip Pullman, mas foram os livros de Rowling que mudaram pra valer o mercado editorial infanto-juvenil e jovem adulto.
          Para começar, todas as editoras queriam uma série de sucesso como Harry Potter, que estava quebrando recordes e vendendo mais que Starbucks em encontro de hipsters. Então apareceram os genéricos. Talvez alguns tenham sido encomendados por editoras ou talvez fossem somente fruto da mente de autores que também vibraram com a riqueza imaginativa de Rowling e queriam fazer algo parecido – uns bem intencionados, outros não.
          O gênero YA, que cresceu muito nessa era pós Harry Potter, se direciona então para a criançada que já não é tão criança, o pessoal que já leu Harry Potter, mas viu algo interessante na forma como a Bella e o Edward são ótimos vendedores de sexo ou achou as fofocas da Garota do Blog indispensáveis. A cria de Rowling cresceu e tem buscado os temas que os autores influenciados por ela, cada vez menos ingênuos, abordam. O que acontece é que, com essa superprocura pelos YAs, algumas pérolas começaram a aparecer, outros estopins de movimentos que geraram mais e mais obras genéricas.
          Um bom exemplo é o livro Jogos Vorazes, da americana Suzanne Collins. A história do livro todo mundo conhece. Se você estava cumprindo pena em Klingon nos últimos anos e não sabe do que se trata a história de Collins, clique aqui. Depois do sucesso estrondoso de Jogos Vorazes, uma miríade inteira de YAs que se auto intitulam distópicos nasceu do dia para a noite. A minha sincera opinião de quem só leu o primeiro livro de Jogos Vorazes e não tem tanto interesse em ler os dois seguintes: Leia um e lerá todos. Essa máxima também se aplica aos livros de Rick Riordan e aos livros de Cassandra Clare, que também estão, ao que parece, se moldando voluntariamente para se encaixarem nesta frase.
          Esses autores, Riordan, Clare, Meyer e tantos outros, se tornaram Best Sellers reconhecidos mundialmente, os grandes money makers do momento. Descobriram cada um a sua fórmula de fazer dinheiro e a continuam utilizando, escrevendo séries de dez livros ou sequências para um livro standalone só para que este possa ter sequências para sua adaptação cinematográfica. Triste é ver os pobres leitores, muitos ingênuos para entender o que os autores estão fazendo com eles, que continuam comprando e comprando, três, cinco, dez livros, todos iguais, ecos de uma primeira tentativa bem-sucedida.
          É triste ver que esse movimento chegou ao Brasil não por meio de traduções, mas com a nova geração de escritores que entram no mercado editorial através de editoras espertas que lhes cobram investimento para publicar seus livros de histórias verdes, pouco originais, muito influenciadas pelo movimento dos Harry Potters genéricos. Pobres autores que, ingênuos, ingressam prometendo escrever séries e mais séries – e nem expressarei minha opinião sobre a avalanche de séries – sobre a sua história de uma Fulana que vivia uma vida normal.
          Eu poderia me prolongar no assunto, citar vários exemplos de mais histórias que são tão originais quanto sapato de funkeiro, mas isso encheria linhas e linhas sem sentido. Você, caro leitor, discorda de algo que eu disse? Deixe nos comentários a sua opinião.
Nota d’A Editora: Não se deixem enganar, Nic é fá de Harry Potter.
Nota da Lu:  "Para quem caiu de paraquedas direto de Saturno, ou vive em uma caverna, ou esteve congelado em uma nave do Caveira Vermelha nos últimos 70 anos." Tipo eu? Hahaha, não conhecia esse termo até ter contato com os livros da Clare. O que eu posso dizer? Amo Harry Potter desde os onze anos e sou fã de Jogos Vorazes desde os vinte e um. Dentro do que o Nic falou, a trilogia A Seleção é basicamente uma cópia de Jogos Vorazes (só que muito mais romântico), meio que um crossover entre uma distopia e um conto de fadas (mesmo sendo fraquinha, algo nessa trilogia me cativou). O que mais eu posso dizer? HARRY POTTER FOREVER!

Hush, Hush (série), de Becca Fitzpatrick – COM SPOILERS

Nota d’A Editora: (Mas já? Pois é. Nem começou o texto e eu já estou aqui enchendo o saco.) Olá, gente. Queria fazer um breve comentário SOBRE A NATUREZA DOS POSSÍVEIS SPOILERS DO TEXTO. Eu, particularmente, nunca li a série e as informações não me incomodaram, mas vejo como outras pessoas poderiam se incomodar. Como é a resenha da série inteira, é normal que alguns detalhes de volumes anteriores sejam revelados quando se começa a falar dos volumes finais. Algumas coisas mencionadas podem levar a conclusões e inferências indesejadas – ou não. Cabe ao leitor filtrar a intensidade com a qual ele, pessoalmente, se importa em saber spoilers. Tomando a mim como exemplo, eu sou bem chata (daquelas “me conta alguma coisa e eu te mato”) e não achei esse texto excessivamente revelador. Porém deve ser levado em conta que uma pessoa que já começou a ler a série possa ter conhecimentos que a façam atingir uma interpretação mais profunda do que é contado na resenha. Dito isso, depois não vale reclamar. Spoiler ou não, eis a questão.


Hush, Hush - a série

            Então, galera, hoje falarei sobre uma das minhas séries favoritas: Hush Hush, de Becca Fitzpatrick. Com capas lindas, em preto e branco com sutis detalhes em vermelho, e narrada em primeira pessoa, a série conta a história de Nora Gray e Patch Cipriano.     
            Nora é uma menina simples, que mora em uma casa de campo com a mãe, dedicada aos estudos, sem vida amorosa ativa – apesar de sua melhor amiga, Vee Sky, tentar ao máximo arranjar-lhe companhia – e constantemente  importunada por sua arqui-inimiga, Marcie Millar, que tenta fazer da sua vida, e da de Vee, um inferno desde sempre. Patch é o mais novo parceiro de laboratório de Nora – misterioso, sexy, sombrio e com profundos olhos negros, um dos melhores Bad Boys na minha opinião.

Hush, Hush vol. 1, Becca Fitzpatrick, 1º Edição

                
            O primeiro livro conta sobre o começo do relacionamento levemente conturbado de Nora e Patch. Ele é irresistível e faz de tudo para levar Nora ao limite, mas, mesmo assim, tenta protegê-la ao máximo. Nora sabe que Patch não é flor que se cheire, mas adora a vista. O que a maioria de nós também faria, não é mesmo? hahaha.
            Então, após uma série de estranhos acontecimentos,  Nora  sai de sua cômoda normalidade e se vê jogada em um mundo em que anjos caídos e nephilins existem e brigam há séculos – tendo como pano de fundo o autoritarismos dos arcanjos –, briga na qual ela entrará em busca de respostas, mas não sairá sem sacrifícios.

            Os olhos de Patch eram como órbitas negras. Absorviam tudo e não devolviam nada. Não que eu quisesse saber mais sobre ele. Se não gostei do que vi por fora, duvidava de que fosse gostar do que espreitava lá no fundo. O único problema é que isso não era bem verdade. Eu adorei o que vi. Músculos longos e esguios nos braços, ombros largos, mas relaxados e um sorriso que era meio debochado, meio sedutor. Estava difícil convencer a mim mesma de que deveria ignorar algo que já começava a parecer irresistível.

Hush, Hush vol. 2, Becca Fitzpatrick, 1º Edição
                               
            Já no segundo, Nora ganha um anjo da guarda e – advinhem quem é? O problema é que, mesmo tendo de cumprir seus deveres angélicos, Patch parece cada vez mais distante de Nora e mais próximo de Marcy, a pessoa mais irritante ever e arqui-inimiga de Nora. E, como se isso não fosse o suficiente, ela começa a ter estranhos sonhos, com seu pai falecido há anos, que têm mais a ver com o presente e sua linhagem do que ela sequer imagina.
            É aí que o recém-chegado à cidade, Scott Parnell, chama sua atenção. Antigo conhecido da família e típico garoto-problema – do tipo que tem um pequeno pé de maconha no quarto –, faz de tudo para deixá-la furiosa e tem segredos a esconder muito piores do que uma simples jardinagem ilegal.
            Mas, como tudo parece sempre ter um lado bom se olhado de outro ângulo, Patch descobre que ele e Nora podem interagir através dos sonhos dela.

            ­– Anjo.
            Levantei os olhos quando Patch disse meu apelido em meus pensamentos. Estar perto de você, da forma que for, é melhor que nada. Não vou perdê-la. Ele fez uma pausa e, pela primeira vez desde que o conheci, vi uma sombra de preocupação em seus olhos. Mas já caí uma vez. Se eu der aos arcanjos motivos para imaginarem que estou remotamente apaixonado por você, eles vão me mandar para o inferno. Para sempre.

Hush, Hush vol. 3, Becca Fitzpatrick, 1º Edição
                                         
            Então, no terceiro livro, Nora, após ficar desaparecida por semanas – devido a um sequestro no qual a moeda de troca pela sua liberdade foi altíssima –, é finalmente encontrada em um cemitério e não se lembra dos últimos cinco meses, ou seja,  não se lembra de Patch, Scott, anjos caídos, nephilins, arcanjos, o Mão Negra e esse tipo de coisas.
            Para completar, descobre que sua mãe está namorando ninguém mais, ninguém menos, do que Hank Millar! O recém-divorciado pai de Marcy, do qual Nora não gosta nada e muito menos confia. E há também a chegada de Dabria, uma personagem in-su-por-tá-vel, que parece ser uma versão 2.0 de Marcy.
            E, no meio de todo esse caos,  mesmo com a intensa ajuda de seus amigos Scott e Vee, ela continua, obviamente, muito confusa. Afinal, não se lembrar de cinco meses da sua própria vida deve ser bem tenso, não acham?
            Além de tudo isso, um novo e sexy desconhecido, chamado Jev, parece ser a peça vital para que ela recupere suas memórias  roubadas. E, quando ela descobre a verdadeira identidade desse desconhecido, tudo parece fazer sentido.

            – Minha história é longa e não há muita coisa boa nela. Não posso apagá-la, mas estou decido a não errar novamente. Não quando os riscos são grandes, não quando envolvem você. Há um objetivo em tudo isso, mas vai levar um tempo. – Dessa vez ele me abraçou e afastou o cabelo do meu rosto, e alguma coisa dentro de mim se desfez ao seu toque. Lágrimas quentes transbordaram de meus olhos. – Se eu perder você, perco tudo.



Hush, Hush vol. 4, Becca Fitzpatrick, 1º Edição
                                              
            E, finalmente, no quarto livro, Nora se vê  forçada a fazer uma grande escolha. Ganha novos poderes, que tem como bônus uma enorme responsabilidade, uma liderança imposta – da qual seus subordinados não a acham digna – e um pacto que, se não cumprido, resulta em morte, no caso a sua própria e a de sua mãe.
            Nesse novo contexto, conhecemos melhor Dante – seu primeiro tenente, que parece fazer de tudo para ajudá-la a conquistar a confiança de seus subordinados , vemos Nora 
adquirir um vício e a intimidade forçada com Marcy Millar, que se aloja em sua casa (ato totalmente consentido por ambas as mães e muito estranho aos olhos de Nora e de Vee).
            Ser perseguida por anjos caídos, nephilins e arcanjos não fazia parte de seus planos, bem como o ressurgimento de Dabria e o leve autoritarismo de Patch em relação a sua segurança. E, quando um chantageador está prestes a ser pego, percebe-se que nem todos são tão confiáveis assim. Nora e Patch devem recorrer a planos arriscados para garantir um futuro sem guerras para todos, e feliz para si. Mas e se o plano não der certo? Qual será a melhor solução no final das contas?

            Sempre que a dúvida e a tristeza invadiam minha mente, tudo o que eu precisava fazer era pensar nele. Não sabia se tinha feito a melhor escolha todas as vezes, mas de uma coisa eu não tinha dúvida: tinha acertado com relação a Patch. Não podia desistir dele. Nunca.

            As cenas românticas de Nora e Patch tendem a ser levemente calientes e bem tensas, mas também carregas de um humor sarcástico maravilhoso. E, no final dos livros, são apresentadas as soluções perfeitas para que todos os problemas sejam resolvidos. Previsível? Nem de longe, pois, quando tudo parece  estar perfeito, há uma reviravolta tamanha que te faz pensar que não há solução possível para arrumar a bagunça. E isso é sensacional!  Você fica imaginando o que a louca da autora pretende fazer para resolver tudo e, no final das contas, não é nada óbvio.
            O final da saga não me agradou muito por dois motivos: pelo o final que a autora deu a dois personagens que fazem parte do núcleo principal da trama e pela rapidez com que a história termina. Porém, mesmo assim, é empolgante, instigante e, com certeza, inesquecível.
             Amo, amo, amo!
            Becca anunciou em seu Twitter há poucos meses que o primeiro livro, Sussuro, vai receber uma adaptação cinematográfica pelas mãos da LD Entertainment e do roteirista Patrick Sean Smith, do seriado americano Greek, adaptação essa que tem o início das filmagens planejado para o segundo semestre de 2013.  Becca nos fala um pouquinho sobre suas antigas ideias:
            “Eu comecei a escrever Hush, Hush há quase dez anos, então estava imaginando atores que, obviamente, já não têm mais idade para os papéis. Eu queria Steven Strait para Patch e Emmy Rossum para Nora”, disse Becca Fitzpatrick ao Entertainment Weekly.
            No Twitter, seus seguidores sugeriram nomes como Beau Mirchoff, Drew Doyon, Shiloh Fernandez, Mario Casas, Thomas Dekker e Avan Jogia, para viver Patch; Shelley Hennig, Kaya Scodelario, Lucy Hale e Troian Bellisario, para Nora. E aí? Qual é o seu elenco dos sonhos? Conta pra gente!

Encontre:  Saraiva & Iba (ambos em versão digital)



A Idade dos Milagres, de Karen Thompson Walker


Cativante ao extremo. LEIAM. Apenas.


            Bastou que eu lesse uma resenha desse livro para que ele chamasse minha atenção. Chamasse não, gritasse por atenção. A proposta bastante original e o tema com uma pitada apocalíptica me cativaram de cara e decidi comprá-lo o quanto antes. Assim que o fiz e comecei a ler, estava feito: iniciou-se uma bela história de amor entre eu e o livro.
            A Idade dos Milagres fala sobre os conflitos da adolescência. E também sobre a desaceleração da Terra. Não, muito confuso. Vamos do começo.
            O livro fala sobre a vida de Julia, uma pré-adolescente californiana que vive uma vida comum e pacata com seus pais. Só que as coisas nunca vão bem por muito tempo: de uma hora para outra, os problemas típicos da adolescência começam a surgir de uma vez e, para piorar, o mundo inteiro fica em pânico por causa da desaceleração do planeta, que começa a girar mais devagar e tornar os dias e noites mais longos que o normal.
            Confesso que fiquei, ao mesmo tempo, curioso e apreensivo. Os dois temas parecem não ter muita relação entre si, além desse ser o primeiro livro da autora. Mas, felizmente, minhas expectativas foram totalmente superadas. Karen conseguiu equilibrar esses dois aspectos muito bem, a ponto de o livro conseguir agradar tanto aos fãs de ficção científica quanto aos de livros YA.
            Os efeitos causados pela desaceleração da Terra são muito convincentes e é perceptível o trabalho de pesquisa feito pela autora para construir bem esses elementos. Já os dramas vividos pela protagonista são apresentados de forma angustiante e realista, sendo que me identifiquei em várias partes do livro com as situações pelas quais ela passava.
            Outro fator impossível de não ser notado é a evolução da protagonista ao longo do livro. De garota ingênua e passiva, Julia passa por várias situações - que não vou citar aqui, porque são daquelas que é melhor descobrir sozinho - que mudam seu jeito de ser e de enxergar o mundo, tornando-a uma personagem forte e determinada no final. É uma das personagens com o melhor desenvolvimento que conheço (provavelmente só perdendo para a Tris, de Divergente).
            A edição do livro também está boa. A única coisa que notei foi que as letras são um pouco pequenas – nada de mais, apenas menor que o “normal” – e, às vezes, a leitura parecia não render muito. Fora isso, tudo ok. Principalmente a capa, que tem design e simbologia interessantes e, de quebra, brilha no escuro.

A Idade dos Milagres te seduz no escuro

              Enfim, A Idade dos Milagres é um livro lindo. Eu poderia escrever dezenas de parágrafos elogiando-o, mas espero que todos vocês leiam e possam saber do que eu estou falando. Essa história é daquelas que, quando se lê no momento certo, se torna uma companheira para a vida toda. É o que aconteceu comigo e, justamente por isso, leva a nota máxima.

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