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Half Bad, de Sally Green


Sally Green
Editora Intrínseca
304 páginas
1ª edição

Sinopse:
Nathan, filho de uma bruxa da Luz com o mais poderoso e cruel bruxo das Sombras. O adolescente vive com a avó e os meios-irmãos e é visto como uma aberração por seus pares. O Conselho dos Bruxos da Luz vê nele uma ameaça, que precisa ser domada ou exterminada. Prestes a completar dezessete anos – época em que todos os bruxos passam por uma cerimônia em que seu dom é finalmente revelado bem, como sua denominação como bruxo da Luz ou das Sombras –, agora Nathan terá que correr contra o tempo para achar o pai, que jamais teve oportunidade de conhecer, e salvar a própria pele.

Quase todo mundo já está farto de livros YA protagonizados por bruxos e afins. O gênero está saturado de histórias desse tipo, com protagonistas rasos e ruins e tramas que são mais do mesmo e não falam de nada novo. No meio disso tudo, Half Bad, um lançamento ainda fresco nas prateleiras, é um verdadeiro achado e uma história com potencial, mas que, até o momento, tem feito menos barulho no Brasil do que merecia.

Assim como uma certa escritora britânica que todos conhecem, Sally Green resolveu contar uma história sobre bruxos, e criou seu próprio universo para isso. Durante a leitura, é impossível não lembrar em algum momento de Harry Potter, embora as semelhanças entre as duas obras não vão muito além do tema. O universo que Green criou, apesar de simples e despretensioso, é extremamente original, funcionando de uma maneira surpreendente. 

Os bruxos de Sally são divididos em duas raças (chamemos assim, embora essa palavra nunca tenha sido usada no livro): Bruxos da Luz e Bruxos das Sombras. Bruxos da luz são maioria e não se misturam em momento algum com Bruxos das Sombras, que são os renegados que se recusam a viver misturados com os félixes (não-bruxos), como fazem os seus opostos.

O protagonista, Nathan, é um menino que desde pequeno foi uma exceção. Seu pai, Marcus, é um poderoso e violento bruxo das trevas caçado abertamente pelo Conselho dos Bruxos da Luz. Sua mãe é uma bruxa da Luz que teve o marido assassinado por Marcus. As circunstâncias da concepção de Nathan são um mistério. O menino é criado pela avó materna e pelos meio-irmãos. Nunca conheceu o pai, que vive foragido e nunca tentou contato, nem a mãe, que está morta. Nathan é o único bruxo meio-código: Meio-Luz e Meio-Sombra. Todos os anos ele precisa ser levado ao Conselho, onde é submetido a testes para que possa ser designado seu código definitivo e para que ele possa ser rotulado, enfim, como bruxo da luz ou das sombras.

Sally Green usa a história para falar de temas fortes, como racismo, preconceito e os motivos que levam uma pessoa a ser “má” ou “boa”. Nathan, desde muito pequeno, já é discriminado, agredido e ameaçado pela própria irmã por ser diferente, mestiço. O bullying que Nathan sofre na escola rende cenas pesadas e violentas, que servem bastante como reflexão sobre a forma como os adolescentes lidam com a diversidade. Em um livro razoavelmente curto, a autora explora isso tudo sem pesar na história, que não deixa de ser um romance ágil e empolgante de aventura.

O Conselho está constantemente avaliando e rastreando Nathan, pois acham que ele é sua maior chance de chegar a Marcus. Conforme ele cresce, o desejo do menino de conhecer o pai só aumenta, assim como seu ódio pelo Conselho por todo o sofrimento que lhe causa. Isso o faz, em alguns momentos, se perguntar se ele é mais parecido com o pai do que pensava. Se sua metade má não prevalece sobre a boa. 

A história é cheia de cenas de ação fantásticas, principalmente aquelas em que os poderes dos bruxos acabam figurando. Eles se assemelham mais a habilidades como as dos mutantes de X-Men do que com poderes como os dos bruxos de Harry Potter. 

Ao completar dezessete anos, todo bruxo deve receber três presentes e beber o sangue de um bruxo mais velho de sua família. Esse ritual de iniciação é essencial, pois é depois dele que se manifesta e se desenvolve o dom de cada um. Os dons podem ser bem variados, indo desde o preparo de poções, que é o mais comum, até soltar fogo pela boca e pelas mãos, se transformar em animais, ler mentes e desacelerar o tempo. Geralmente, os dons são os únicos poderes que os bruxos têm. A originalidade da autora ao discorrer sobre as tradições dos bruxos e as características que os diferem dos félixes é impressionante em sua simplicidade.

Em uma trama ágil, cheia de cenas de ação e sequências quase cinematográficas, Half Bad é uma pequena pérola entre os outros livros do gênero. Sally Green estreia com louvores com este livro, que me surpreendeu pela maturidade e pelo tom sombrio da história. Definitivamente, um livro que merece cada segundo investido, e que deixa um desejo imenso de saber mais desse universo e do restante da história de Nathan. Uma surpresa e tanto e, definitivamente, um dos melhores YAs que já  li.


Mathilda Savitch, de Victor Lodato





Victor Lodato
Editora Intrínseca
312 páginas
ISBN 9788580571639
1ª edição - 2012
Sinopse
Mathilda Savitch tem conflitos que extrapolam as dores comuns da adolescência: sua irmã mais velha é brutalmente assassinada, jogada na frente de um trem por um desconhecido. Com a angústia de uma nação em guerra contra o terrorismo e os pais enlutados pela tragédia familiar, Mathilda decide usar a maldade para provocar alguma reação neles, que estão completamente catatônicos. Eleito o melhor livro de 2009 pelo The Christian Science Monitor, pela Booklist e pelo The Globe and Mail, o romance de estreia do poeta e dramaturgo Victor Lodato retrata, de maneira impressionante, a vulnerabilidade e a aparente ousadia adolescente.


Um dos maiores prazeres que existem na vida de um leitor é comprar e ler um livro às cegas, sem saber absolutamente nada sobre ele, e ter uma boa surpresa. Esbarrei em Mathilda Savitch numa estante de livros em promoção, um bota-fora de coisas que estavam paradas nas prateleiras há tempos numa livraria de shopping. Foi o livro que mais me chamou a atenção, por mais que eu não tenha sequer parado para ler a sinopse. Como já sabia que levaria algo devido a minha incapacidade de ignorar livros a menos de dez reais, a capa e o título bastaram para que eu o escolhesse.

Ao contrário do esperado, uma vez que imaginei se tratar de um drama, o livro é narrado por uma criança, a que dá nome à história. Mathilda é uma menina ainda a caminho de entrar na puberdade, muito inteligente e curiosa para a sua idade. Às vezes ela nos faz rir, um tanto envergonhados, porque fala despudoradamente sobre suas impressões sobre os adultos. Durante a história, o autor estreante retratou com muito cuidado, mas com uma honestidade que chega a causar um pouquinho de vergonha, o despertar da sexualidade da criança que se torna adolescente.
Mas a história não é sobre o amadurecer de Mathilda, embora a personagem cresça e evolua ao longo da trama. Há alguns meses, a menina perdeu a irmã, Helene, em um acidente terrível. Os pais de Mathilda lidam com isso evitando conversar sobre ela, mantendo seu quarto impecável e como a adolescente gostava, mas Mathilda se sente profundamente incomodada com o silêncio dos pais sobre o que houve. A menina está o tempo inteiro preocupada que, após quase um ano da morte de Helene, ainda haja mistérios a respeito das circunstâncias em que ela morreu. Mais explicitamente, não se sabe quem matou a adolescente. E Mathilda resolve, por conta própria, iniciar uma investigação em busca da identidade do assassino de sua irmã.
Embora Victor Lodato, que é dramaturgo e poeta, tenha estreado com este romance, desenvolveu uma história sutil, capaz de nos transportar de volta àqueles momentos de descobertas e de chutar as quinas dos móveis da casa. Mathilda é dona de uma acidez que o tempo todo nos faz rir de coisas que não têm graça alguma. Em sua decisão de ser uma menina má, ela tira os pais de seu sossego e torpor, do silêncio que foi a forma de lidarem com a perda da filha. Ao longo de uma narrativa gostosa, começamos a notar cada vez mais a profundidade da história, que aos poucos vai ficando mais preocupante e comovente.

Mathilda Savitch é um livro curto, contado por uma protagonista inteligente, de um humor sarcástico e crítico; uma menina, acima de tudo, curiosa. Curiosa pelo que houve com a irmã e com o que ela fazia em sua maioridade. Enquanto a personagem nos guia ao ir desvelando o mistério da morte de Helene, vai também nos angustiando o tempo todo com o seu crescer. Um livro curto que é como sua jovem protagonista: maior por dentro.



TAG: Confissões de um bibliófilo.


Meu amigo Higor, do Literária Mente, me marcou nessa tag e, como não tenho me dado muito bem com as câmeras, responderei em post mesmo. E, se reclamar, vai ter dois. Vamos às perguntas:

1 - Qual é o gênero da literatura de que você se mantém longe?
Eu tenho zero interesse por essa leva de distopias Jogos Vorazes e Cia. E, embora um dia tenha sido meu gênero favorito, nos últimos meses eu abandonei a leitura de muitos livros de fantasia. Muitas histórias simplesmente me parecem mais do mesmo, então tenho evitado fantasias. O mesmo acontece com YA, embora esse gênero não tenha sido o meu favorito – apenas acontecia de ser o que eu mais lia, e cheguei a um ponto em que saturou. E acho que não preciso citar os pornôs de tia.

2 - Qual é o livro que você tem na estante e tem vergonha de não ter lido?
Ah, são tantos! On the Road, do Jack Kerouac, uma leitura que nunca terminei; O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, um livro que tenho em duas edições, mas ainda assim não cheguei a ir além de folhear; Morte Súbita, de J. K. Rowling, que já vai fazer uns três anos que está na estante. E, mais do que todos, Coração Assombrado, a biografia de Stephen King, que foi por muito tempo meu autor favorito e ainda é um autor que eu reverencio, admiro demais, e sobre a vida do qual sempre tive muita curiosidade.

3 - Qual é o seu pior hábito enquanto leitor (a)?
Acho que o pecado que todo leitor comete em algum momento: comprar compulsivamente. Eu tive uma fase de gastar absurdos em promoções do submarino, mas me recuperei – embora este ano tenha voltado a exagerar novamente. Mas em compras pequenas, não como já aconteceu de gastar meu décimo terceiro salário de uma vez só em livros. E eu também tenho uma mania que só incomoda a mim, que é ficar me impondo metas mentalmente, como “Vou ler até o capítulo xyz hoje.” ou “Faltam x páginas pra acabar o livro, então hoje eu não durmo sem terminar.”, que são metas que, na maioria das vezes, não consigo cumprir.

4 - Você costuma ler a sinopse antes de ler o livro?
Não. Quando eu compro um livro, geralmente já estou interessado nele porque ouvi falar em de algum vídeo, por alguma pessoa, ou vi uma referência em algum filme, seriado ou música; geralmente tenho uma ideia vaga do que o livro vai falar, e isso basta. Eu geralmente compro muitos livros por seus autores e para conhecer seu trabalho, completamente cego ao que a obra vai falar. O caso mais recente disso foi quando comprei Benjamin, de Chico Buarque. Nunca li nada dele, embora o adore como músico. E comprei o livro às cegas, em um passeio pela livraria.

5 - Qual é o livro mais caro da sua estante?
Sempre achei que eu tivesse livros mais caros que ele, por ter dois volumes da Barnes and Noble Leatherbound Classics, uma coleção de luxo de clássicos encadernados em couro que geralmente custam uns cem reais nas livrarias físicas da vida, mas que consegui comprar a menos de R$60 em uma promoção. Isso dá o trono para o meu Toda Mafalda, um volume único com todas as tirinhas da personagem, comprado na Bienal do Livro de 2014. O preço ainda foi uma pechincha se comparado ao que costumava custar nas livrarias até então. Paguei R$70.

6 - Você compra livros usados/em sebos?
Não tanto quanto eu gostaria. Gosto de fazer trocas em sebos. Pegar uma pilha de coisas que estão na estante há tempos e ainda não li, nem pretendo mais ler, e trocar por coisas mais interessantes.

7 - Qual é a sua livraria física preferida?
Acho que é de decisão unânime de qualquer paulista (e gente de fora também) que a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, é uma livraria lendária e sem comparação. E acho que não é a única, geralmente as outras filiais da loja também tem esse ar mágico. Também gosto bastante das livrarias Martins Fontes, uma que costumo visitar também na Avenida Paulista e outra próxima ao Viaduto do Chá, no Anhangabaú. E as saraivas Megastore de shoppings também não deixam a desejar. Dentre elas, uma das minhas favoritas é a do Shopping Anália Franco.

8 - Qual é a sua livraria online preferida?
Sem pensar duas vezes: Amazon. Excelência nos preços, tanto dos livros quanto do frete, velocidade de entrega maravilhosa e um atendimento superatencioso.

9 - Você tem um orçamento mensal para comprar livros?
Não! Cada mês eu gasto mais do que devia. Digo muito, e com razão, que a maior parte do meu salário vai pro bolso das livrarias. Tenho feito muitas compras pequenas de livros durante o mês, e isso engole todo o meu orçamento. Um dos meus planos pra vida é estabelecer uma quantia mensal pra gastar com livro. Mas isso é que nem promessa de ano novo, né.

10 - Quem você "tagueia"?
Você aí, meu jovem padawan, queridíssimo leitor deste bloguinho. Como eu acho que todo mundo do mundo já respondeu a tag, responde você aí! Se tiver um blog, faça um post respondendo e mande o link nos comentários ou, se não tiver, responda em comentário mesmo!

Cira e o Velho, de Walter Tierno






Na pré-escola e durante o ensino fundamental, todos nós estudamos em algum momento o nosso folclore. Uma coisa um tanto decepcionante nisso é a forma infantilizada como todo ele sempre nos é exposto, muitas vezes na forma reinventada por Monteiro Lobato, ou em recontos influenciados pela obra do mesmo. É difícil pensar que uma ou duas gerações atrás, pessoas adultas levavam a sério esse tipo de coisa. Que a Caipora, o Lobisomem, o Curupira e tantos outros personagens eram histórias que se ouviam todos os dias e metiam medo não só em criança. Todo mundo já ouviu sua avó ou a avó de alguém contar alguma história de Saci ou de Lobisomem, principalmente se você tem algum parente que viveu em zonas rurais.
Cira

Depois que crescemos, temos uma tendência a acabar esquecendo essas histórias, e acabar pensando nelas como coisa pra criança. É aí que o livro de Walter Tierno tem uma das suas maiores glórias, matando essas ideias estúpidas durante uma leitura fluida e divertida. A história corre em dois núcleos: o presente, onde temos um narrador sem nome, que poderia ser o próprio autor, e que conta sua Odisseia em busca de saber mais de Cira, uma personagem folclórica que ele conhecera ao ganhar uma figurinha em um jogo de bafo quando criança; e temos também o passado, o Brasil colonial, onde conhecemos a história de Cira desde gênese, assim como acompanhamos alguns outros personagens – como seu pai, o poderoso Cobra Norato, e também a irmã dele, a maligna Maria Caninana. Cira, assim como o narrador, tem sua própria jornada, uma busca por vingança contra o Velho, que assassinou sua mãe.

Conforme o livro avança e acompanhamos o narrador em sua investigação a respeito de Cira, o autor apresenta uma miríade de personagens ricamente representados. Conhecemos as origens de Cira e algumas figuras clássicas de nosso folclore conforme eles cruzam seu caminho, e também a forma como esses seres tiveram que se adaptar para sobreviver ao passar dos séculos, sendo obrigados a adentrar o espaço urbano conforme as cidades cobriam seu antigo habitat. O autor também assina todas as várias ilustrações do livro – quando o conhecemos na Bienal do Livro de 2014, o próprio Walter fez um desenho à mão na hora, junto com seu autógrafo. O livro não é de forma alguma infantil, muito pelo contrário. A história tem cenas de ação enérgicas e bastante violentas.

A Morte, mimada e birrenta.
O nosso folclore tem uma mensagem geral importantíssima, que o tempo todo nos é repetida quando somos crianças, mas que parece que deixa de nos preocupar e é esquecida junto com essas histórias à medida que crescemos. O Saci, o Curupira, a Caipora e todos os outros espíritos que já cansamos de conhecer, são forças da mata. Manifestações da natureza selvagem, intocada pelo homem. Habitam histórias de coisas ruins que aconteceram com caçadores, desmatadores e pessoas que não respeitaram a Mata. Esses personagens, essas histórias, eram uma forma de os Antigos nos ensinarem a dar o devido respeito à nossa Terra. É nosso dever perpetuar essas histórias, não só por seu valor em nossa identidade cultural, mas por essa prerrogativa. A crise da água já é parte do dia de todos nós, e assim será para sempre. Logo não será a nossa única preocupação do tipo, portanto agora precisamos desses espíritos mais do que nunca, para nos lembrarem de que o que temos não é eterno, e que a nossa Natureza cobra nossas imprudências com tanta severidade quanto um deus de velho testamento.

O trabalho de Walter Tierno contribui com mais do que romances de aventura divertidos, mas também trazendo de volta às nossas vidas adultas alguns dos nossos maiores tesouros.  Cira e o Velho é um livro que traz um gostinho de história de avó, mas contada através de uma narrativa hábil, com cenas de ação cinematográficas e a representação cuidadosa da história de nosso próprio país dá uma vontade enorme de procurar mais histórias do tipo. A menção honrosa vai para a aparição de um personagem histórico bastante importante na História dos escravos e da luta por sua liberdade no Brasil, e para lugar onde se dá o confronto final do romance. Walter escreveu um dos meus novos favoritos, e seu epílogo de explodir cabeças apenas encerra com chave de ouro um trabalho impecável.

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Ourives Ruview: RuPaul's Drag Race



Qualquer cidadão da internet que se interesse por cultura e música pop com certeza já deve ter esbarrado ou ao menos ouvido falar em alguma música da poderosíssima drag queen RuPaul, tida como a maior e mais famosa drag dos Estados Unidos – e quiçá de todo o mundo. Na experiência deste que vos fala com baladas para o público gay, nunca houve uma festa que em não tocasse Sissy That Walk, o último hit de RuPaul. Tão famoso quanto, ou talvez ainda mais conhecido que a sua música, é o seu programa de TV, produzido pela Logo TV, um reality show onde drags competem pelo título de America’s Next Drag Superstar.
Um amigo tentou me apresentar o programa há alguns anos e, embora tenha conseguido me fazer ouvir o então recém-lançado single Glamazon, da RuPaul, e a música Hot Couture, da Manila Luzon – uma das concorrentes da terceira temporada do programa –, não cheguei a assistir ao reality propriamente dito. Foi só em 2014, o terrível ano sabático em que tive tanto tempo livre que estava implorando por um emprego, que tirei uma sexta-feira tipicamente tediosa para assistir à sexta temporada do programa.
Confesso que, antes de assistir a ele, considerava a cena drag um tanto trash. O meu conhecimento do assunto era bastante limitado e, pela pouquíssima representação do movimento na mídia – no Brasil a gente só tinha as poucas que apareciam de vez em quando em programas do SBT e as famosas como Nany People –, eu achava que tudo se resumia a isso. Mas RuPaul’s Drag Race me mostrou que não existem somente as queens do bate-cabelo, e que o drag é uma expressão artística que envolve música, teatro, dança, moda e tanto mais.

Em uma noite que se estendeu madrugada adentro, devorei a sexta temporada do programa com uma voracidade que eu não tinha com seriados há tempos. Nunca fui um fã de realities, nunca gostei de American Idol e seus tantos variantes por sempre me parecerem mais do mesmo a cada temporada ou novo programa do gênero que surgia. Talvez seja por isso que RPDR me prendeu do começo ao fim. O programa tem um quê de reality de Face Off, um tanto de Project Runway¸ mas é autêntico, divertido e viciante como ele só. Em três dias, acabei por ver toda a sexta temporada e também a primeira temporada de um dos spin-offs do programa, RuPaul’s All Stars Drag Race, que reuniu drags eliminadas das primeiras 4 temporadas para uma nova competição. Infelizmente, assistir All Stars foi um pequeno spoiler das primeiras temporadas, pois ali eu já vi algumas drags maravilhosas que não haviam ganhado a competição no seriado original em temporadas cujas vencedoras eu, como novato, eu ainda não conhecia.

No programa, as drags competem toda semana em desafios diversos, desde posar para ensaios fotográficos temáticos até fazer intervenções e closar na rua. Ao fim de todos os episódios, todas vão para a passarela com um look completamente novo, que é sempre projetado por elas ao longo da semana segundo o tema proposto por Ru. Na passarela, as concorrentes são julgadas pelo desafio da semana, e duas sempre ficam aptas a eliminação. Por mais que os jurados sempre deliberem e ajudem a julgar os desempenhos nos desafios, a decisão final é sempre da RuPaul, e as duas queens que ficam na berlinda têm sua última chance de se mostrarem dignas de permanecer no programa com uma prova de dublagem, onde ambas dublam juntas uma música escolhida. A que Ru julgar vencedora permanece, enquanto a perdedora deixa a competição.

 O ambiente principal, o Workroom, onde as competidoras trabalham em seus visuais, é onde acontece a maior parte da ação. As intrigas, muitos dos momentos cômicos, readings e shades acontecem ali. É onde a gente conhece bastante do que há por trás das personagens, os bastidores, os homens que vivem debaixo daquelas camadas de maquiagem e um pouco sobre suas trajetórias artísticas e pessoais.

RPDR é um seriado delicioso de assistir, não importa em qual ordem você assista, não importa seu gosto musical, sua orientação sexual ou se você é humano, árvore ou alienígena. Não conheço uma pessoa sequer que não tenha ficado viciada no programa ao parar para assistir. Eu mesmo, que entrei sem saber muito do assunto, mudei de opinião sobre o movimento e aprendi muito com a Mama Ru, cujos maiores ensinamentos são sobre autoestima, autoaceitação e amor próprio. Foi realmente uma pena ter negligenciado o programa por tanto tempo, porque ele é uma pérola da televisão de hoje, e todo mundo devia assistir um pouco de RuPaul’s. Mostre um episódio de RPDR para o seu amigo, pro seu namorado, pro seu parente conservador, pra quem puder, porque ele é digno de cada segundo gasto com os episódios e você vai terminar isso tudo amando toda essa montação, e amando mais a si mesmo também porque, citando a toda-poderosa: “If you can’t love yourself, how the hell are you gonna love somebody else?


RuPaul's Drag Race ganha sua sétima temporada em Março, e a Logo TV já liberou dois trailers, além do meet the queens. Veja aqui o último trailer da nova temporada, que apresenta as queens escolhidas e deixa um gostinho ótimo de barracos vindo aí.



O Príncipe da Névoa, de Carlos Ruiz Zafón


Carlos Ruiz Zafón

Editora: Suma de Letras
1ª edição - 2013
ISBN: 9788581051222
184 páginas
Encontre na Saraiva.

Sinopse:
A nova casa dos Carver é cercada por mistério. Ela ainda respira o espírito de Jacob, filho dos ex-proprietários, que se afogou. As estranhas circunstâncias de sua morte só começam a se esclarecer com o aparecimento de um personagem do mal - o Príncipe da Névoa, capaz de conceder qualquer desejo de uma pessoa, a um alto preço.

O romance de estreia de Carlos Ruiz Zafón foi O Príncipe da Névoa. Na edição nacional, publicada pela Suma de Letras, há uma nota do autor sobre isso, em que ele comenta sobre a história ter sido a sua primeira e também menciona não ter voltado e feito alterações nela após tantos anos. A nota vem no começo do livro e não dei muita importância quando a li, mas, uma vez que concluí a leitura, entendi o tom de desculpas que ela tem e realmente desejava que o autor tivesse sim voltado e feito alterações no livro.

O Príncipe da Névoa conta a história de Max Carver, um menino cuja família está se mudando para uma pequena cidade no litoral para fugir da guerra – o livro se passa em 1943. O primeiro quinto do livro, onde somente a família Carver está em foco, é o mais divertido. O pai, Maximilian Carver, é o personagem mais – se não o único – interessante em cena. Os diálogos e a dinâmica que o autor vai desenvolvendo com os familiares juntos são divertidos, e não só poderiam como deveriam ter sido mais explorados.

O livro se desenvolve com uma estrutura quase de conto, embora tenha quase duzentas páginas. Não aprofunda demais nenhum dos personagens e se fecha basicamente na narrativa. Max é um menino que, como qualquer criança, é muito curioso e, explorando a nova casa, descobre no campo que há nos fundos um pequeno terreno gradeado, com aspecto de cemitério. Lá, Max descobre várias estátuas estranhas, todas dispostas em uma espécie de círculo riscado no chão, com uma estrela de seis pontas dentro. As estátuas representam artistas circenses e todas estão voltadas para a estátua que se posiciona ao centro, que é a de um palhaço.

Neste momento, perto da metade do livro, Zafón começou a criar um suspense creepy, envolvendo o tal cemitério de estátuas. A família encontra um projetor e rolos de filmes abandonados na casa pelos antigos donos e, ao executar um deles, encontram uma gravação amadora, feita pelo proprietário anterior. No filme, a câmera passeia pelo jardim de estátuas percorrendo o círculo e parando para filmar o rosto de cada uma, até chegar, por último, à estátua do palhaço. A irmã de Max fica com medo, dizendo que andara tendo pesadelos com aquele palhaço dias antes da mudança.

Um dos erros de Zafón foi ter abandonado essa tentativa de desenvolver um suspense. A partir do momento em que Roland, o novo amigo de Max, entra na história, ela se fecha sobre Max, sua irmã Alicia e Roland. Tão cedo se conhecem, Roland e Alicia se entrosam e logo começam um namorico que criou uma pequena barriga no meio do livro. Zafón ainda dá um jeito de tirar os outros personagens de cena, bruscamente, deixando a maior parte do restante da ação em volta do trio.

O Príncipe da Névoa não foi o meu primeiro contato com Zafón e realmente fico feliz que não tenha sido. O primeiro livro dele que li foi Marina, e este me cativou tanto que o autor ganhou meu respeito imediatamente, mas aí veio essa segunda leitura meh e estou meio arrependido de ter comprado vários livros dele de uma vez. O Príncipe da Névoa é uma idéia legal, uma premissa muito boa, mas que foi executada com muita pressa. Quem sabe, se Zafón tivesse dado mais cinqüenta ou cem páginas ao livro, teria tido tempo o bastante para amarrar todas as pontas que deixou soltas ao encerrar a trama. Fiquei decepcionado com o livro, que desperdiça um vilão sensacional. O Príncipe da Névoa, o fantasma-feiticeiro do livro, é um misto muito bom de Pennywise e Rumpelstiltskin, e teve uma performance tão medíocre que é broxante.

Se um dia Zafón resolver voltar atrás e reescrever O Príncipe da Névoa, eu até posso considerar relê-lo, mas, por enquanto, este é um livro que eu não indico a ninguém e que me arrependi de ter comprado.


A Máquina de Contar Histórias, de Maurício Gomyde

Maucício Gomyde
1ª edição (2014)
Selo Novas Páginas
ISBN: 9788581635040
192 páginas
Encontre na Saraiva.

Sinopse:
Na noite em que o escritor best-seller Vinícius Becker lançou A Máquina de Contar Histórias , o novo romance e livro mais aguardado do ano, sua esposa Viviana faleceu sozinha num quarto de hospital. Odiado em casa por tantas ausências para cuidar da carreira literária, ele vê o chão se abrir sob seus pés. Sem o grande amor da sua vida, sem o carinho das filhas, sem amigos... O lugar pelo qual ele tanto lutou revela-se aquele em que nunca desejou estar. Vinícius teve o mundo nas mãos, e agora, sozinho, precisa se reinventar para reconquistar o amor das filhas e seu espaço no coração da família V. Uma história emocionante, cheia de significados entrelaçados pela literatura, mostrando que o amor de um pai, por mais dura que seja a situação, nunca morre nem se perde.

A primeira coisa a chamar a atenção de um leitor para um livro desconhecido é, muitas vezes, a capa. Hoje em dia, graças aos deuses da literatura, as editoras estão caprichando cada vez mais nelas, fazendo os passeios na livraria serem cada vez mais bonitos aos olhos. A Máquina de Contar Histórias é um daqueles livros que surpreendem pela arte de capa tão bonita, o que, na minha opinião, é uma coisa um tanto incomum de se ver entre os livros da Editora Novo Conceito, embora ela esteja caprichando cada vez mais no projeto gráfico em seus últimos lançamentos.

Eu já estava bastante interessado pelo livro antes mesmo de recebê-lo da editora. Como qualquer leitor que também tenta rabiscar sua própria ficção de vez em quando, me sinto particularmente atraído por histórias envolvendo o ofício da escrita, e é exatamente isso que a capa e o título evocam e mais ou menos do que a história, de fato, se trata.

Maurício Gomyde começa a trama apresentando Vinícius Becker, um superescritor  mundialmente famoso que está lançando seu mais novo romance em um evento em Minas Gerais quando recebe a notícia do falecimento de sua esposa (não é spoiler). Todo o começo do livro, que apresenta Vinícius, sua família e a vida que eles levam, me incomodou muito. O autor inventou um personagem que vive em um Brasil utópico, em que um escritor consegue não só viver de seu ofício, mas ser multimilionário, sair jogando notas de cinquenta reais a esmo – são várias as cenas desse tipo – e viver em uma casa gigantesca em um condomínio fantasioso, impossível de existir em São Paulo. Seria realmente muito bom se, no mundo real, os escritores pudessem ter todo esse reconhecimento de seu trabalho e conseguissem levar uma vida de luxo com seus frutos, mas acho que nem a J. K. Rowling dá gorjetas de cinquenta reais em todo lugar que vai.

Vinícius começa, a partir daí, a sentir-se culpado por não ter estado presente nos momentos finais de Viviana, sua esposa. A filha mais velha, Valentina, um perfeito espécime de adolescente revoltoso, contribui para que o pai se sinta dessa forma com uma discussão no leito de morte da mãe, que me lembrou o barraco épico no funeral em O Cemitério, de Stephen King. O protagonista descobre, só depois que Viviana falece, que ela e a filha haviam escrito um livro juntas, fato que o faz se dar conta do quão pouco esteve presente na vida da família. Quando não está em turnê ou participando de feiras em eventos, Vinícius está escrevendo, tarefa diária que começa antes do sol nascer e que executa com frieza, trancado em seu escritório.
Outra coisa que me gerou muito incômodo na história foram os momentos em que Maurício parava para descrever o protagonista como “a máquina de contar histórias”, isto é, a forma como ele “exatizou”, assim dizendo, o ofício da escrita. Vinícius cria romances aparentemente tocantes com uma série de fórmulas que sempre dão certo, tiradas de um livro que foi entregue de forma messiânica a ele por sua professora da escola e que se tornou sua bíblia e amuleto da sorte.

Mesmo com esses tropeços incômodos na narrativa, a história consegue fluir de forma bem leve, auxiliada pela prosa limpa, pouco descritiva, e pelos diálogos, ainda que sejam bastante mastigados. A partir da metade do volume, o autor tropeçou menos e foi mais feliz ao desenvolver o drama familiar de um pai que tenta se reaproximar das filhas – principalmente a mais velha – após a perda da esposa.

A segunda metade da história flui mais depressa e consegue salvar todo o enredo. Vinícius decide tentar atender os últimos desejos da falecida esposa e, ao lado das filhas, parte numa viagem em busca da resolução de cada um deles. A conclusão consegue ser muito boa e desenvolver melhor Valentina, uma personagem que, de início, era só uma adolescente qualquer que tinha repentinos acessos de maturidade com diálogos prontos dignos de um monge sábio das montanhas, mas que, no final, tem sua ponta amarrada com um nó justo que justifica a personagem e suas motivações. A Máquina de Contar Histórias é um livro que me ganhou com a capa e o título, me perdeu em sua primeira metade, mas conseguiu me ganhar uma segunda vez com o desfecho.


Selvagens + O Inverno de Frankie Machine, de Don Winslow

Os livros de Don Winslow foram outra das minhas andanças a territórios não explorados em minha experiência como leitor. O único exemplo que tive de um livro ou autor do gênero tough-lit foi o de Bernard Cornwell, mas, como em algum momento durante a leitura de um dos livros de Don Winslow pensei que eles seriam uma antítese perfeita para os romances chick-lit, imagino que devam entrar no nicho.




Don Wislow
Editora Intrínseca
ISBN: 9788580572292
1ª edição - 2012
288 páginas
Encontre na Saraiva

Sinopse:
Ambientalista e filantropo nas horas vagas, Ben comanda um negócio de venda de maconha em Laguna Beach. Ao lado de seu parceiro, o ex-mercenário Chon, ele fatura lucros consideráveis e mantém uma clientela fiel. No passado, quando seu território foi invadido, Chon tratou de eliminar a ameaça. Agora, porém, eles parecem estar diante de uma força da qual não podem dar conta: o Cartel de Baja, do México quer tomar a região e avisa que não irá aceitar uma negativa como resposta. Quando os dois amigos se recusam a recuar, o cartel reforça a advertência sequestrando Ophelia, companheira e confidente dos rapazes. O sequestro deflagra uma gama alucinante de negociações habilidosas e reviravoltas inacreditáveis, que deixarão os leitores ansiosos para descobrir o custo da liberdade e o preço de um grande barato. Uma engenhosa combinação entre o suspense carregado de adrenalina e a reportagem policial, Selvagens é um thriller alucinante, escrito por um mestre do gênero no auge de sua carreira.

Selvagens foi o meu primeiro contato com o trabalho de Winslow. Eu me lembro de, no ano passado, ter visto o lançamento Kings of Cool – que, por sinal, é um prequel para Selvagens – exposto em todas as livrarias em que eu passava, mas não guardei o nome do autor, de forma que só após ter concluído a leitura e pesquisando mais sobre seus livros é que fui me dar conta de que era ele quem assinava Kings of Cool. A leitura de Selvagens foi uma daquelas mais deliciosas, quando começamos uma leitura sem saber absolutamente nada do livro. Abri Selvagens sem ter lido orelha, sinopse ou seja lá o que for, apenas atraído pelo primeiro capítulo, um dos mais sensacionais primeiros capítulos que eu já vi (clica aqui pra ver, é curtinho e não é spoiler).

O livro é focado em O(phelia), Ben e Chon, que levam uma vida invejável, fruto de seu trabalho duro. O é uma espécie de Dona Flor moderna, rica, safada e californiana. Os três sustentam uma espécie de poliamor: basicamente ela é namorada dos dois, mas eles não são namorados um do outro embora fosse sensacional se fossem. Os dois se respeitam e se amam como irmãos (Lannister, oi! Possibilidades! Parei.), e simplesmente amam a mesma mulher. É moderno, é complexo, é sensacional. Ben e Chon são responsáveis por variações especiais de maconha, combinações únicas com efeitos diversos. Basicamente, são os grandes fornecedores de uma das melhores maconhas do mundo para toda a Califórnia e o resto dos Estados Unidos. O cenário californiano está tão entranhado na trama – com tantas cenas e menções às suas praias douradas, com personagens surfando e tudo mais – que o estado se torna quase um personagem à parte. O livro já começa, desde as primeiras páginas, nos apresentando este cenário e seus personagens principais, começando por O(phelia). A história tem uma carga bem pesada de sexo, drogas e violência, que não atrapalham de forma alguma a leitura, muito pelo contrário. Don Winslow tem uma narrativa bastante leve e, com capítulos curtos, o livro começa a voar diante dos nossos olhos sem que percebamos.

O narrador é outra delícia à parte. Cheio de tiradas sensacionais, sarcástico e desbocado, às vezes faz parecer que a história toda é uma conversa entre camaradas. A partir do momento em que os personagens principais estão apresentados, o autor lança o conflito, a reviravolta da história. Essa reviravolta já está denunciada na sinopse, e eu a considero um spoiler, portanto não irei mencionar. Leia a sinopse por sua própria conta e risco. De qualquer maneira, saber isso não vai prejudicar tanto a leitura: a partir do momento em que a história dá essa cambalhota, tudo só acelera e as coisas vão ficando mais sujas e violentas, a adrenalina sobe a níveis críticos e tudo culmina em um clímax perfeito. Eu, que sempre achei repetitivos e sem graça aqueles filmes de ação sobre traficantes, perseguições e coisas assim, nunca achei que fosse gostar tanto de uma história com os mesmos elementos. Talvez seja a forma como Winslow a construiu que faça toda a diferença. Esse foi o livro adulto que me fez voltar a shippar – Chon, Ben e O é o que? Cheno? – novamente. Esse livro acabou e eu fiquei com tanta vontade de mais que minha reação ao descobrir Kings of Cool foi mais ou menos a da irmã da Chloe.

E como menção honrosa: O filme é dirigido pelo Oliver Stone, o mesmo de Natural Born Killers. Tem John Travolta, Salma Hayek e ninguém menos que Aaron Taylor-Johnson, Taylor Kitsch e Blake Lively como o trio muito mais que shippável. Vem ver o trailer (link), que o filme é ótimo!




Don Wislow
Editora Intrínseca
ISBN: 9788580575484
1ª edição - 2014
352 páginas
Encontre na Saraiva

Sinopse:
Frank Machianno é um assassino de aluguel. Um assassino de aluguel aposentado, na verdade. Quando estava na ativa, era conhecido como Frankie Machine, mas os dias de crime ficaram no passado e ele leva uma vida tranquila no litoral de San Diego, onde é conhecido por ser um empresário comprometido e um pai e ex-marido exemplar. Quando, porém, o filho do atual chefe da máfia lhe pede um favor, Frank se vê obrigado a atender, e as ameaças de sua antiga profissão voltam a atormentá-lo. Alguém do passado o quer morto e Frank precisa descobrir quem e por quê. O problema é que o rol de candidatos é tão extenso quanto a lista telefônica da Califórnia e o tempo de Frankie está acabando. Ao retratar com riqueza de detalhes a violência inata ao mundo da máfia, Don Winslow construiu um thriller magnífico, repleto de ação e de personagens carismáticos. Combinando bom humor, inteligência e dinamismo, O inverno de Frankie Machine transporta o leitor para os cenários quentes de San Diego e da cultura surfista, com o auxílio de um anti-herói cativante.

Antes que eu pusesse as mãos no meu tão desejado Kings of Cool, recebi da linda da Intrínseca O Inverno de Frankie Machine, que foi um dos lançamentos da editora em junho de 2014. O livro tem um tom bastante diferente de Selvagens e talvez tenha sido a minha expectativa de ler algo como ele que contribuiu para que eu ficasse um pouquinho meh com essa segunda leitura.

O Inverno de Frankie Machine começa com uma pegada diferente de Selvagens. Ao mesmo passo que ele tem um ritmo que demora um pouco mais a engrenar, aqui Winslow está mais sarcástico do que antes. Frank Machianno, o nosso protagonista, é dono de uma loja de iscas no litoral californiano. É um homem que já não é mais tão jovem, que surfa pela manhã com mais alguns tiozões antes que a molecada encha a praia, e que mantém sistematicamente a sua rotina. Tem cronometradas as suas horas de sono, o tempo para se vestir, tomar banho e preparar o café da manhã. Workaholic é o nome do meio de Frank. Além de ser o dono de sua loja de iscas, ele é um empresário, tem uma série de investimentos pela cidade e faz questão de manter o olho em tudo. O que demora um pouco a ser revelado é que Frank, quando mais jovem, foi conhecido como Frankie Machine e trabalhava com a máfia como matador de aluguel.

Esse lado de ex-mafioso aposentado é um dos temperos mais divertidos da história. Winslow troca de pontos de vista o tempo todo, sem separação nem aviso prévio. Num parágrafo é ele, narrador onisciente em terceira pessoa, no outro é Frank, narrando de seu próprio ponto de vista. Frank faz algumas referências à cultura pop, principalmente ao Poderoso Chefão, ícone do cinema e primeira coisa de que muita gente se lembra quando se fala de máfia. Frank deve ter sido o meu primeiro anti-herói na literatura. Ao mesmo tempo que não gosto muito dele por ser tão chato, metódico e quadrado em algumas coisas, não consigo não adorar ele virado no Jiraya, badass como ele só.

A partir do momento em que Frank sofre um atentado, acaba se vendo obrigado a se meter com a máfia novamente para descobrir o mandante de sua morte. Don Winslow parece ter uma fórmula que dá muito certo para suspenses de sucesso. Sol californiano, sexo e drogas em abundância, violência até dizer chega, pitadas de acidez e sarcasmo e uma trama que começa tranquila até virar do avesso, dar piruetas e tornar-se uma correria deliciosa livro adentro. Graças a esse homem, eu estou gostando cada vez mais de histórias sobre a máfia e, depois deste livro, vou me atirar nos filmes d’O Poderoso Chefão e em todo outro livro de Winslow que eu vir pela frente.

Garota Exemplar, de Gillian Flynn

Gillian Flynn
ISBN: 9788580572902
448 páginas (1ª edição - 2013)
Editora Intrinseca
Encontre na Saraiva.

Sinopse:
Uma das mais aclamadas escritoras de suspense da atualidade, Gillian Flynn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise.
Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino?
No ano passado, ganhei de presente o livro Garota Exemplar, que, então, era um lançamento recente da Intrínseca. Mas o livro acabou indo parar na minha não tão pequena pilha de livros a serem lidos e lá ficou por meses. Já faz mais de um ano que o ganhei e só agora fui lê-lo, e estou me odiando por ter deixado este livro incrível acumulando pó por esse tempo todo.

Este ano tem sido muito bom em termos de leituras. Já experimentei alguns gêneros e autores bem diferentes daqueles com os quais estou acostumado, e Gillian Flynn e seu livro estão entre eles. Acho que Garota Exemplar foi meu primeiro mistério propriamente dito. Nunca li Agatha Christie – crucifiquem-me –, mas o sentimento que tive lendo Flynn foi o mesmo sobre o qual já vi as pessoas comentarem ao ler os livros dela: aquele desejo imenso de dar uma espiada na página final pra finalmente saber como a trama se resolve. A curiosidade estava me matando durante a leitura.

Garota Exemplar é contado em primeira pessoa, em capítulos alternados entre a visão de Nick Dunne e a de sua esposa, Amy Elliot (Dunne). A história começa no dia do quinto aniversário de casamento do casal, que é também o dia em que Amy desaparece. Os capítulos de Nick nos contam o presente, o desenrolar das investigações e toda a comoção que o sumiço de sua esposa causou, enquanto os de sua esposa são constituídos de entradas de seu diário, flashbacks de anos anteriores ao acontecido. Amy nos conta a história de seu casamento com Nick, desde o dia em que os dois se conheceram. É muito difícil falar sobre a destreza com que a autora construiu a história sem a estragar para os futuros leitores. À medida que os capítulos vão passando, as investigações começam a apontar na direção de Nick. A polícia e todos começam aos poucos a achar que ele matou a esposa.

Gillian Flynn é GENIAL. No decorrer da história, ela brinca com a cabeça do leitor, nos fazendo desconfiar ora de um, ora de outro, para então nos puxar o tapete com um puta plot twist. As entradas no diário de Amy vão ficando mais recentes à medida que a história avança, e o leitor sabe que chegará um momento em que elas chegarão ao “Dia do” – que é como o livro chama a data em que Amy desapareceu. Isso contribui para aumentar o suspense – como se fosse mesmo necessário –, além da investigação policial sobre o desaparecimento e algumas entradas suspeitas no diário que nos fazem desconfiar ainda mais de Nick. A pergunta que permeia a nossa cabeça na maior parte do tempo durante a leitura é: afinal, ele matou ou não matou a esposa?

Gillian Flynn construiu personagens absurdos. Todos são milimetricamente calculados e executados com maestria. Nick, que conhecemos muito bem durante a primeira metade do livro, é um ótimo exemplo disso. É uma figura complexa, com um background bem sólido, com vontades que o movem, com sentimentos, com qualidades, defeitos, vergonhas, orgulhos e, é claro, segredos. Em seus capítulos, ele não confessa se matou ou não, mas também não deixa de levantar suspeitas sobre si mesmo. O livro foi bem orquestrado nesse sentido, para conduzir o leitor numa trilha crescente de suspense que tem um ápice que não é desse mundo. Ao concluir a leitura e pensar sobre a história, é possível ver o quão bem pensado e organizado foi o livro. O quão bem Gillian Flynn o executou para brincar com a nossa mente, confundir-nos para encerrar tudo com uma pancada na cabeça digna de Mr. Punch. “É assim que se faz!”. Esse livro foi um dos melhores que li em tempos e, por um momento, ameaçou tirar o trono de Precisamos falar sobre o Kevin de melhor leitura do ano. Garota Exemplar definitivamente me tirou a vontade de me casar, e me deixou com um pouco de medo das pessoas – e, talvez, da autora também.

Garota Exemplar vai ganhar ainda este ano sua adaptação para o cinema, que recentemente teve segundo trailer liberado. Você pode conferi-lo aqui.


Quem ficou com vontade de ler o livro põe o dedo aqui, que já vai fechar pode comemorar, porque nós vamos sortear um exemplar dele, em parceria com a Editora Intrínseca! \o/ 

Para participar, você só precisa preencher o formulário no rafflecopter aqui embaixo e seguir estas regrinhas:
- Curtir a nossa fanpage no facebook.
- Compartilhar a imagem da promoção (lembre-se de fazê-lo em modo público).
- Ser seguidor do blog.
- Ter endereço de entrega no Brasil.


PROMOÇÃO ENCERRADA!

Nosso vencedor foi o Renan Esteves. Renan, nossa equipe entrará em contato com você o mais rápido possível pra pegar o seus dados, e o livro será enviado diretamente pela Editora Intrínseca. Esperamos que goste! ;) E, pra quem não ganhou, fiquem ligados que em breve tem mais!

Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver

Lionel Shriver
Editora Intrínseca
ISBN: 978-85-98078-26-7
464 páginas
Encontre na Saraiva (Edição Movie Tie-In).

Sinopse:
Para falar de Kevin Khatchadourian, 16 anos – o autor de uma chacina que liquidou sete colegas, uma professora e um servente no ginásio de um bom colégio do subúrbio de Nova York –, Lionel Shriver não apresenta apenas mais uma história de crime, castigo e pesadelos americanos: arquiteta um romance epistolar em que Eva, a mãe do assassino, escreve cartas ao marido ausente. Nelas, ao procurar porquês, constrói uma reflexão sobre a maldade e discute um tabu: a ambivalência de certas mulheres diante da maternidade e sua influência e responsabilidade na criação de um pequeno monstro. Precisamos falar sobre o Kevin discute casamento e carreira; maternidade e família; sinceridade e alienação. Denuncia o que há de errado com culturas e sociedades contemporâneas que produzem assassinos mirins em série e pitboys. Um thriller psicanalítico no qual não se indaga quem matou, mas o que morreu.
Enquanto tenta encontrar respostas para o tradicional onde foi que eu errei? a narradora desnuda, assombrada, uma outra interdição atávica: é possível odiarmos nossos filhos?

Uma das melhores coisas de ser leitor é começar a ler um livro com pouco ou nenhum conhecimento sobre ele e ser surpreendido durante a leitura. Precisamos falar sobre o Kevin foi uma surpresa assim. É necessário dizer, porém, que não foi uma leitura rápida, e em muitas vezes também não foi muito confortável. Nunca tive tanta dificuldade em escrever uma resenha sobre um livro de que gostei tanto.

Ao começar a leitura, eu não tinha noção nenhuma do que a história iria abordar além da história pueril de um filho problemático que consegui imaginar a partir do título. Também não havia assistido ao filme, e isso tudo foi muito bom e contribuiu para a grande surpresa que o livro acabou sendo. A história e sua abordagem foram se revelando aos poucos muito mais maduras, profundas e detalhadas do que eu poderia imaginar. Durante toda a leitura, em momento nenhum era possível relaxar. Eu já li muitos livros diferentes do meu gosto usual, mas este foi o primeiro que realmente me fez sentir arrastado para fora da minha zona de conforto.

Lionel Shriver conta a história como um romance epistolar, narrado por Eva Katchadourian em cartas que escreve a seu marido, Franklin. Durante a primeira centena e meia de páginas nós conhecemos Eva, que é uma personagem não muito carismática. Eva é arrogante e orgulhosa, uma mulher sofisticada e altiva que é um verdadeiro nojo. Por isso, esse primeiro período do livro parece ser um tanto mais arrastado, tamanho é o desagrado que é conhecer melhor a protagonista. É impressionante como isso não prejudica de forma alguma o desenrolar da história. Ao invés de me sentir inclinado a desistir do livro por conta de uma personagem assim tão miserável, senti que Lionel Shriver havia colocado um diabo sentado em meu ombro para me arrancar o sossego e me desafiar a terminar a leitura.

Eva é uma mulher muito inteligente, sincera e crítica, então, nas divagações que faz em suas cartas, ela muitas vezes enfia o garfo em muitas feridas abertas de todas as pessoas. Suas cartas estão cheias de frases de embrulhar o estômago, algumas verdades impiedosas sobre as pessoas, a vida, o amor, o sexo, a família, casamento. Durante o livro, Eva tem bastante tempo para espetar quase todos os assuntos em sua língua pontuda.  Há um interlúdio, uma passagem um pouco menor logo após a primeira, em que Eva fala sobre os primeiros anos de seu casamento com Franklin. Esse período do livro destruiu qualquer vestígio da ideia de felicidade conjugal padrão comercial de margarina que ainda havia em minha mente. É então que vem o “segundo ato” da história, quando nasce o menino sobre o qual precisamos falar.

Contar qualquer detalhe sobre a relação da mãe com o filho será um grande spoiler. Eva, desde o começo, demonstra despreparo para educar o filho. Ao contrário dela, Franklin mostra ter nascido para isso, tornando-se um pai coruja e conquistando de Kevin um carinho que a mãe não conseguiu. No desenrolar dessa segunda metade do livro, Eva se desenvolve ainda mais, e eu arriscaria dizer que é a melhor protagonista que eu já vi até hoje. Da metade ao fim do livro é quando ele se torna mais impossível de largar. A relação entre Kevin e a mãe só vai se tornando mais difícil com o decorrer da leitura, e não sei se devo ter vergonha de dizer que estive curiosíssimo para ler mais e mais disso – estava achando toda essa tragédia grega deliciosa.

Precisamos falar sobre o Kevin foi um divisor de águas para mim. Um livro pelo qual eu não daria nada e que foi uma das maiores – se não a maior – surpresas que já tive na vida de leitor. É um favorito para a vida inteira que vou sempre querer abraçar forte quando tirar da estante e começar a ler tudo outra vez. Lionel Shriver ganhou um fã.

Review de Séries: Dominion S01E01



Legião (no original, Legion), lançado em 2010, foi um dos filmes de ação que mais reassisti nos últimos anos. Lembro-me de ficar viciado no ano em que o assisti pela primeira vez, vendo e revendo até cansar. Após ter lido A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, meu interesse pela mitologia hebraico-cristã e toda aquela coisa de anjos guerreiros, lutas épicas e asas all over the place só aumentou, sendo que Legião saciou muito bem essa minha sede na época. Embora não seja absurdamente bom, é um filme de ação bastante divertido que, apesar dos pesares, foi meu favorito por um bom tempo.

O fim de Legião deixa uma série de pontas soltas que indicam uma possível continuação. E agora, após quatro anos, ela saiu, mas em outra mídia. O canal americano Syfy encomendou a primeira temporada de uma série baseada no filme, e a estreia aconteceu na última quinta-feira, 19/06. A surpresa foi mais do que satisfatória. Não consigo explicar a minha empolgação com o seriado. Ele dá muito mais espaço para os roteiristas explorarem todas as possibilidades que a trama deixa após o final do filme e, embora não seja obrigatório, achei necessário e recomendo que todos assistam ao filme antes de começar o seriado.

Aviso:
Daqui para frente, haverá spoilers de Legião. Prossiga por sua própria conta e risco.



Dominion se passa quase três décadas após os eventos de Legião. Os anjos de Gabriel devastaram o planeta todo em uma guerra contra os homens, que, por sinal, conseguiram resistir muito bem. No cenário pós-apocalíptico apresentado na abertura do episódio, vemos que as pessoas conseguiram se organizar em cidades-fortaleza, onde se torna mais fácil sobreviver. É mostrada apenas uma cidade, Vega, e há menção de uma segunda, Helena, mas fica bem claro que cada uma é totalmente independente da outra e tem suas próprias leis e governos.

Já nos primeiros minutos da série, conseguimos ver asas de um anjo de Gabriel – no filme, os anjos de seu exército não conseguem manifestar as asas – e, durante o episódio, mais e mais delas aparecem para encher os nossos olhos em cenas maravilhosas. Os efeitos mais legais do seriado são as asas, definitivamente.

Vega é governada por um general (com a ajuda de seus subordinados – cônsules e coisas assim), que se reporta diretamente ao único anjo do nosso lado na guerra: Miguel. O mesmo anjo que, no filme, vem à Terra para proteger e salvar “O escolhido”. É interessante observar que o elenco do seriado não tem nenhum ator do original – logo, tanto Miguel quanto qualquer outro personagem que apareceu na película e retorna aqui é interpretado por um ator diferente. O novo ator que ocupa o papel de Miguel deu uma cara nova ao personagem, que se torna menos heroico e durão e mais altivo e arrogante, continuando, porém, bastante badass nas sequências de luta.




Na história, dentro do mundo que se criou após toda a guerra iniciada em Legião, começou uma espécie de nova religião do escolhido, onde as pessoas rezam para ele e esperam pela sua volta. Entende-se que, nesse intervalo de tempo, Miguel escondeu a criança e ninguém sabe quem ela é (nós sabemos muito bem, desde o começo do episódio). Essa religião me causou um certo estranhamento, pois parece muito mais pagã do que cristã (embora ela não seja exatamente cristã), mesmo que nesse universo com tantos anjos voando por todo lado, predomine a mitologia cristã como verdade.



O episódio é longo, com pouco mais de uma hora de duração. Ao contrário de seus filmes, o Syfy costuma entregar seriados bem legais e, mesmo assim, me surpreendeu com todo o investimento feito em Dominion. Ele está com uma qualidade geral muito boa e, considerando a média de orçamento de um seriado de canal pequeno, que limita a qualidade e quantidade de cenas em CGI por episódio, conseguiu apresentar ótimos efeitos especiais, mais do que necessários para todas as cenas de vôo, animação das asas e tudo mais. As cenas de ação estão ótimas, embora claramente menos elaboradas do que no filme. Mesmo assim, são bonitas de se ver. A coreografia dos combates está bastante boa. Enfim, Dominion me deixou embasbacado, surpreso e apaixonado pelo seriado. Quero mais, e mal posso esperar pelo segundo episódio da temporada!


Visite o site de Dominion no Syfy.




Especial Seriados: 3 grandes estreias da summer season


2014 tem sido um ano movimentado para a TV. Tivemos uma porrada de seriados cancelados, alguns retornando e muitas, muitas estreias. A temporada de verão lá no hemisfério norte já começou e, das próximas estreias, separei três que têm me despertado a curiosidade ultimamente e estrearão nas próximas semanas.
A primeira delas, cujo lançamento da segunda temporada ocorre hoje, é Orange is the New Black. Embora eu ainda não tenha começado a acompanhar, participo de um grupo de discussão de seriados no Facebook e ouço falar muito bem da série. Em todo lugar que se procura sobre o seriado, encontramos escrito em letras grandes e garrafais que ele foi criado pelas mesmas mãos que criaram Weeds. Este sim eu já assisti, e era um seriado que me fazia rir muito. Aparentemente, Orange is the New Black balanceia os momentos cômicos e dramáticos muito bem, e esse trailer da segunda temporada me deixou curioso pelos barracos todos. Quem não adora um, né? De cara, o elenco me parece bem maneiro em questão de performance. Inclusive, a editora Intrínseca está lançando nesse mês o livro homônimo que deu origem à série e que conta a história real de Piper Kerman. Saiba mais sobre o livro, visite a página de Orange is the New Black no Netflix e confira o trailer da segunda temporada, que começa 06/06.


Para a segunda estreia que quero comentar não há um burburinho tão grande assim. Under the Dome também está retornando com sua segunda temporada, com lançamento oficial dia 30 de junho (uma segunda-feira) no canal americano CBS. Vi a primeira temporada dividir opiniões entre quem a acompanhou. Tenho colegas que leram o livro e detestaram a série, mas outros que também leram e amaram – assim como existem os que não conhecem a história original e estão igualmente divididos em opinião. Eu, como fã muitas vezes xiita de Stephen King, gostei pra caramba da primeira temporada, mas consigo entender a revolta e as reclamações de quem não gostou. A história, planejada para render várias temporadas, já teve desde o começo algumas divergências em relações ao livro, e elas só vieram a aumentar com o desenrolar da temporada. É uma das primeiras vezes que eu consigo observar livro e adaptação como duas obras distintas e gostar de ambos separadamente. O seriado deve se distanciar mais do livro nessa temporada, mas eu me tranquilizo pelo envolvimento do próprio Stephen King na produção. Visite a página de Underthe Dome na CBS e confira o teaser da segunda temporada, que estreia em 30/06. Leia também a nossa resenha de Sob a Redoma.


E por último, mas não menos importante, o seriado que provavelmente é a minha maior aposta e esperança para esse ano. The Strain é a adaptação para a TV da Trilogia da Escuridão, escrita por Guillermo Del Toro e Chuck Hogan, que estreia no canal americano FX no domingo, dia 13 de julho. A trilogia conta a história de uma pandemia que toma conta de Nova Iorque. Seguimos Eph, um médico do CDC que se envolve na tentativa de conter um vírus que chega à cidade em um avião onde todas as pessoas à bordo estão mortas. O primeiro livro da série já teve resenha aqui no blog, e eu ainda preciso ler a conclusão da trilogia, mas sou um fã desesperado. A mitologia que os dois autores criaram como pano de fundo para os vampiros da epidemia é sensacional, e os infectados – os vampiros – sozinhos já são sensacionais. Estou com expectativas altíssimas para o seriado, o que nem sempre é uma boa coisa, mas não consigo não colocar fé nesse projeto que está sendo desenvolvido pelo próprio Del Toro. O FX vem liberando uma série de teasers para os quais eu só tenho essa reação. Visite a página de The Strain no site do FX e confira abaixo a compilação de todos os teasers lançados até agora.