Comemorações atrasadas

Olá, gente!

Então... Eu dificilmente posto aqui, normalmente só reviso todos os textos publicados e minha participação fica por isso mesmo, mas tenho um bom motivo pra aparecer hoje. Na verdade, super válido mesmo teria sido aparecer dia 3, só que nem tudo é perfeito.

"Mas o que teve dia 3, oh, sumida Editora?" 

Bom, dia 3 o Ourives completou dois aninhos! E não só isso: esse post que você está lendo agora é nossa 100ª publicação (':

"E só agora você vêm falar disso?? Se organiza, mulher!"

Eu sei, eu sei, a gente realmente vacilou. O plano original era fazer um grande post com alguma promoção ou TAG, até demos uma corrida pra chegar no post 99 até o aniversário e tal. Mas sabem como é - deixamos pra última hora e, depois de vermos nosso aniversário passar em branco diante dos nossos olhinhos mareados, desanimamos pra preparar um babado no atraso ): Aí hoje, dez dias depois, eu liguei um CHEGA DE ABSTINÊNCIA e vim fazer esse mini-pronunciamento.

Nós, ourives, estamos bem enrolados - no momento somos universitários e pessoas morrendo para entrar em universidades - e, como sempre, eu sou a pior de todos nós. Notem: estamos com vários rascunhos aí pra eu editar, mas a coitada aqui não é lá muito disciplinada. (Ainda bem que tem outro editor pra dar um help com pré-edições gloriosas que salvam vidas <3 ) Meu lado filha de João Bidu também fica tentado a dizer que o Ourives sofre de uma preguicinha taurina, mas deixa pra lá.

Poréeeemm, já que o ano é novo, têm que rolar umas promessas, né! Prometemos mais posts, mais organização e algumas novidades em forma de TAGs/promoções vindo aí! Como toda promessa de ano novo, a eficácia não é 100% garantida, mas juro que os esforços serão sinceros hahahaha

Também, lembrando que é aniversário (aquele ridiculamente atrasado), não posso deixar de prestar muitos agradecimentos aos ourives. Principalmente aos grandes originais, meus amigos queridos de quem eu sinto saudade todos os dias e que me fazem querer contar os segundos até a próxima OurivesCon. Muito obrigada por tudo. Eu amo vocês de verdade e sou muito orgulhosa do que nosso bebê de três pais e uma mãe se tornou <3

Fica também um grande beijo e muita gratidão aos demais ourives e colaboradores, especialmente a um pessoalzinho novato aí que tá me enchendo de rascunhos! Vocês são parte fundamental do blog e é um prazer ter os textos de vocês por aqui.

E o último grande agradecimento vai pra você, leitor! Você que não nos odeia por sermos tão inconstantes e continua vindo aqui ler um ou outro texto de vez em quando. Você é nossa motivação para voltar aos trilhos. Não desista de nós (;

E hoje eu paro por aqui.

PARABÉNS PELOS DOIS ANINHOS, OURIVES DAS PALAVRAS! E FELIZ 100ª POSTAGEM :D

Mathilda Savitch, de Victor Lodato





Victor Lodato
Editora Intrínseca
312 páginas
ISBN 9788580571639
1ª edição - 2012
Sinopse
Mathilda Savitch tem conflitos que extrapolam as dores comuns da adolescência: sua irmã mais velha é brutalmente assassinada, jogada na frente de um trem por um desconhecido. Com a angústia de uma nação em guerra contra o terrorismo e os pais enlutados pela tragédia familiar, Mathilda decide usar a maldade para provocar alguma reação neles, que estão completamente catatônicos. Eleito o melhor livro de 2009 pelo The Christian Science Monitor, pela Booklist e pelo The Globe and Mail, o romance de estreia do poeta e dramaturgo Victor Lodato retrata, de maneira impressionante, a vulnerabilidade e a aparente ousadia adolescente.


Um dos maiores prazeres que existem na vida de um leitor é comprar e ler um livro às cegas, sem saber absolutamente nada sobre ele, e ter uma boa surpresa. Esbarrei em Mathilda Savitch numa estante de livros em promoção, um bota-fora de coisas que estavam paradas nas prateleiras há tempos numa livraria de shopping. Foi o livro que mais me chamou a atenção, por mais que eu não tenha sequer parado para ler a sinopse. Como já sabia que levaria algo devido a minha incapacidade de ignorar livros a menos de dez reais, a capa e o título bastaram para que eu o escolhesse.

Ao contrário do esperado, uma vez que imaginei se tratar de um drama, o livro é narrado por uma criança, a que dá nome à história. Mathilda é uma menina ainda a caminho de entrar na puberdade, muito inteligente e curiosa para a sua idade. Às vezes ela nos faz rir, um tanto envergonhados, porque fala despudoradamente sobre suas impressões sobre os adultos. Durante a história, o autor estreante retratou com muito cuidado, mas com uma honestidade que chega a causar um pouquinho de vergonha, o despertar da sexualidade da criança que se torna adolescente.
Mas a história não é sobre o amadurecer de Mathilda, embora a personagem cresça e evolua ao longo da trama. Há alguns meses, a menina perdeu a irmã, Helene, em um acidente terrível. Os pais de Mathilda lidam com isso evitando conversar sobre ela, mantendo seu quarto impecável e como a adolescente gostava, mas Mathilda se sente profundamente incomodada com o silêncio dos pais sobre o que houve. A menina está o tempo inteiro preocupada que, após quase um ano da morte de Helene, ainda haja mistérios a respeito das circunstâncias em que ela morreu. Mais explicitamente, não se sabe quem matou a adolescente. E Mathilda resolve, por conta própria, iniciar uma investigação em busca da identidade do assassino de sua irmã.
Embora Victor Lodato, que é dramaturgo e poeta, tenha estreado com este romance, desenvolveu uma história sutil, capaz de nos transportar de volta àqueles momentos de descobertas e de chutar as quinas dos móveis da casa. Mathilda é dona de uma acidez que o tempo todo nos faz rir de coisas que não têm graça alguma. Em sua decisão de ser uma menina má, ela tira os pais de seu sossego e torpor, do silêncio que foi a forma de lidarem com a perda da filha. Ao longo de uma narrativa gostosa, começamos a notar cada vez mais a profundidade da história, que aos poucos vai ficando mais preocupante e comovente.

Mathilda Savitch é um livro curto, contado por uma protagonista inteligente, de um humor sarcástico e crítico; uma menina, acima de tudo, curiosa. Curiosa pelo que houve com a irmã e com o que ela fazia em sua maioridade. Enquanto a personagem nos guia ao ir desvelando o mistério da morte de Helene, vai também nos angustiando o tempo todo com o seu crescer. Um livro curto que é como sua jovem protagonista: maior por dentro.



TAG: Confissões de um bibliófilo.


Meu amigo Higor, do Literária Mente, me marcou nessa tag e, como não tenho me dado muito bem com as câmeras, responderei em post mesmo. E, se reclamar, vai ter dois. Vamos às perguntas:

1 - Qual é o gênero da literatura de que você se mantém longe?
Eu tenho zero interesse por essa leva de distopias Jogos Vorazes e Cia. E, embora um dia tenha sido meu gênero favorito, nos últimos meses eu abandonei a leitura de muitos livros de fantasia. Muitas histórias simplesmente me parecem mais do mesmo, então tenho evitado fantasias. O mesmo acontece com YA, embora esse gênero não tenha sido o meu favorito – apenas acontecia de ser o que eu mais lia, e cheguei a um ponto em que saturou. E acho que não preciso citar os pornôs de tia.

2 - Qual é o livro que você tem na estante e tem vergonha de não ter lido?
Ah, são tantos! On the Road, do Jack Kerouac, uma leitura que nunca terminei; O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, um livro que tenho em duas edições, mas ainda assim não cheguei a ir além de folhear; Morte Súbita, de J. K. Rowling, que já vai fazer uns três anos que está na estante. E, mais do que todos, Coração Assombrado, a biografia de Stephen King, que foi por muito tempo meu autor favorito e ainda é um autor que eu reverencio, admiro demais, e sobre a vida do qual sempre tive muita curiosidade.

3 - Qual é o seu pior hábito enquanto leitor (a)?
Acho que o pecado que todo leitor comete em algum momento: comprar compulsivamente. Eu tive uma fase de gastar absurdos em promoções do submarino, mas me recuperei – embora este ano tenha voltado a exagerar novamente. Mas em compras pequenas, não como já aconteceu de gastar meu décimo terceiro salário de uma vez só em livros. E eu também tenho uma mania que só incomoda a mim, que é ficar me impondo metas mentalmente, como “Vou ler até o capítulo xyz hoje.” ou “Faltam x páginas pra acabar o livro, então hoje eu não durmo sem terminar.”, que são metas que, na maioria das vezes, não consigo cumprir.

4 - Você costuma ler a sinopse antes de ler o livro?
Não. Quando eu compro um livro, geralmente já estou interessado nele porque ouvi falar em de algum vídeo, por alguma pessoa, ou vi uma referência em algum filme, seriado ou música; geralmente tenho uma ideia vaga do que o livro vai falar, e isso basta. Eu geralmente compro muitos livros por seus autores e para conhecer seu trabalho, completamente cego ao que a obra vai falar. O caso mais recente disso foi quando comprei Benjamin, de Chico Buarque. Nunca li nada dele, embora o adore como músico. E comprei o livro às cegas, em um passeio pela livraria.

5 - Qual é o livro mais caro da sua estante?
Sempre achei que eu tivesse livros mais caros que ele, por ter dois volumes da Barnes and Noble Leatherbound Classics, uma coleção de luxo de clássicos encadernados em couro que geralmente custam uns cem reais nas livrarias físicas da vida, mas que consegui comprar a menos de R$60 em uma promoção. Isso dá o trono para o meu Toda Mafalda, um volume único com todas as tirinhas da personagem, comprado na Bienal do Livro de 2014. O preço ainda foi uma pechincha se comparado ao que costumava custar nas livrarias até então. Paguei R$70.

6 - Você compra livros usados/em sebos?
Não tanto quanto eu gostaria. Gosto de fazer trocas em sebos. Pegar uma pilha de coisas que estão na estante há tempos e ainda não li, nem pretendo mais ler, e trocar por coisas mais interessantes.

7 - Qual é a sua livraria física preferida?
Acho que é de decisão unânime de qualquer paulista (e gente de fora também) que a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, é uma livraria lendária e sem comparação. E acho que não é a única, geralmente as outras filiais da loja também tem esse ar mágico. Também gosto bastante das livrarias Martins Fontes, uma que costumo visitar também na Avenida Paulista e outra próxima ao Viaduto do Chá, no Anhangabaú. E as saraivas Megastore de shoppings também não deixam a desejar. Dentre elas, uma das minhas favoritas é a do Shopping Anália Franco.

8 - Qual é a sua livraria online preferida?
Sem pensar duas vezes: Amazon. Excelência nos preços, tanto dos livros quanto do frete, velocidade de entrega maravilhosa e um atendimento superatencioso.

9 - Você tem um orçamento mensal para comprar livros?
Não! Cada mês eu gasto mais do que devia. Digo muito, e com razão, que a maior parte do meu salário vai pro bolso das livrarias. Tenho feito muitas compras pequenas de livros durante o mês, e isso engole todo o meu orçamento. Um dos meus planos pra vida é estabelecer uma quantia mensal pra gastar com livro. Mas isso é que nem promessa de ano novo, né.

10 - Quem você "tagueia"?
Você aí, meu jovem padawan, queridíssimo leitor deste bloguinho. Como eu acho que todo mundo do mundo já respondeu a tag, responde você aí! Se tiver um blog, faça um post respondendo e mande o link nos comentários ou, se não tiver, responda em comentário mesmo!

O serviço de entregas de Kiki, do Hayao Miyazaki





Sinopse:
Kiki é uma bruxinha que vive em um mundo não muito diferente do nosso, onde as bruxas são consideradas pessoas boas. E diz a tradição que quando as bruxas completam treze anos, elas devem sair de casa para um treinamento de um ano. E assim Kiki segue em uma jornada para iniciar seu treinamento. Pelo caminho encontra uma cidade onde decide ficar e abrir um serviço de entregas. Lá ela conhece muitas pessoas diferentes e se envolve em muitas aventuras.

Eu me senti inspirado a assistir a esse filme por intermédio de um vídeo do youtuber inglês Charlie McDonnel (charlieissocoollike). O vídeo falava sobre os vários filmes que mudaram sua vida, e esse me chamou a atenção por ser uma animação japonesa. A vontade de assistir cresceu mais ainda quando procurei a respeito e descobri que era do Studio Ghibli e dirigido por ninguém menos que Hayao Miyazaki, o "Walt Disney japonês".

Quase sempre mostrando mundos fantásticos, a complexidade das localizações surpreende até os olhos mais treinados. Cenários exuberantes, cheios de vida, cheios de animais. Isso se deve à própria crença pessoal de Hayao Miyazaki acerca do equilíbrio ideal entre homem e natureza.

Frequentemente seus filmes falam sobre a infância e a juventude. Mostram, de alguma forma, o equilíbrio entre as fases da vida, desde o começo até seu fim. O contato com a natureza e a desconstrução de um arquétipo de vilão, a desestruturação da visão maniqueísta do universo.


Neste filme em particular, eu tive que lidar com duas opiniões. A minha e a do Charlie, porque eu assisti à crítica antes do filme. Então tentei apagar a ideia que eu já tinha formada na cabeça. Não consegui.

Para o Charlie, o filme faz uma analogia perfeita com o bloqueio criativo. No caso, ele traça um paralelo entre uma parte do filme e sua própria jornada como escritor. A parte é quando Kiki, tão cansada do emprego nada recompensador, não consegue mais voar. A atividade que ela mais gostava, tão intuitiva, havia se tornado um desassossego, um mero vínculo empregatício.

Já eu não consegui fazer essa associação com tanta facilidade. Embora o filme seja doce, contado do ponto de vista de uma criança, não consegui me identificar tanto com a personagem. Kiki gosta de aventuras, tem um coração gigante e ajuda por ajudar.

Dou ao filme quatro estrelas. A animação espetacular me conquistou desde o primeiro instante. A história, porém, poderia ter sido mais desenvolvida em torno de certos problemas pessoais, como a insegurança e a perda daquilo que era mais familiar à protagonista. Em torno do abandono dos pais, da busca para encontrar uma cidade que a acolhesse, da descoberta de uma nova carreira onde pudesse fazer o que amava, de voar e da perda dessa mesma habilidade.