Mostrando postagens com marcador Intrinseca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Intrinseca. Mostrar todas as postagens

Selvagens + O Inverno de Frankie Machine, de Don Winslow

Os livros de Don Winslow foram outra das minhas andanças a territórios não explorados em minha experiência como leitor. O único exemplo que tive de um livro ou autor do gênero tough-lit foi o de Bernard Cornwell, mas, como em algum momento durante a leitura de um dos livros de Don Winslow pensei que eles seriam uma antítese perfeita para os romances chick-lit, imagino que devam entrar no nicho.




Don Wislow
Editora Intrínseca
ISBN: 9788580572292
1ª edição - 2012
288 páginas
Encontre na Saraiva

Sinopse:
Ambientalista e filantropo nas horas vagas, Ben comanda um negócio de venda de maconha em Laguna Beach. Ao lado de seu parceiro, o ex-mercenário Chon, ele fatura lucros consideráveis e mantém uma clientela fiel. No passado, quando seu território foi invadido, Chon tratou de eliminar a ameaça. Agora, porém, eles parecem estar diante de uma força da qual não podem dar conta: o Cartel de Baja, do México quer tomar a região e avisa que não irá aceitar uma negativa como resposta. Quando os dois amigos se recusam a recuar, o cartel reforça a advertência sequestrando Ophelia, companheira e confidente dos rapazes. O sequestro deflagra uma gama alucinante de negociações habilidosas e reviravoltas inacreditáveis, que deixarão os leitores ansiosos para descobrir o custo da liberdade e o preço de um grande barato. Uma engenhosa combinação entre o suspense carregado de adrenalina e a reportagem policial, Selvagens é um thriller alucinante, escrito por um mestre do gênero no auge de sua carreira.

Selvagens foi o meu primeiro contato com o trabalho de Winslow. Eu me lembro de, no ano passado, ter visto o lançamento Kings of Cool – que, por sinal, é um prequel para Selvagens – exposto em todas as livrarias em que eu passava, mas não guardei o nome do autor, de forma que só após ter concluído a leitura e pesquisando mais sobre seus livros é que fui me dar conta de que era ele quem assinava Kings of Cool. A leitura de Selvagens foi uma daquelas mais deliciosas, quando começamos uma leitura sem saber absolutamente nada do livro. Abri Selvagens sem ter lido orelha, sinopse ou seja lá o que for, apenas atraído pelo primeiro capítulo, um dos mais sensacionais primeiros capítulos que eu já vi (clica aqui pra ver, é curtinho e não é spoiler).

O livro é focado em O(phelia), Ben e Chon, que levam uma vida invejável, fruto de seu trabalho duro. O é uma espécie de Dona Flor moderna, rica, safada e californiana. Os três sustentam uma espécie de poliamor: basicamente ela é namorada dos dois, mas eles não são namorados um do outro embora fosse sensacional se fossem. Os dois se respeitam e se amam como irmãos (Lannister, oi! Possibilidades! Parei.), e simplesmente amam a mesma mulher. É moderno, é complexo, é sensacional. Ben e Chon são responsáveis por variações especiais de maconha, combinações únicas com efeitos diversos. Basicamente, são os grandes fornecedores de uma das melhores maconhas do mundo para toda a Califórnia e o resto dos Estados Unidos. O cenário californiano está tão entranhado na trama – com tantas cenas e menções às suas praias douradas, com personagens surfando e tudo mais – que o estado se torna quase um personagem à parte. O livro já começa, desde as primeiras páginas, nos apresentando este cenário e seus personagens principais, começando por O(phelia). A história tem uma carga bem pesada de sexo, drogas e violência, que não atrapalham de forma alguma a leitura, muito pelo contrário. Don Winslow tem uma narrativa bastante leve e, com capítulos curtos, o livro começa a voar diante dos nossos olhos sem que percebamos.

O narrador é outra delícia à parte. Cheio de tiradas sensacionais, sarcástico e desbocado, às vezes faz parecer que a história toda é uma conversa entre camaradas. A partir do momento em que os personagens principais estão apresentados, o autor lança o conflito, a reviravolta da história. Essa reviravolta já está denunciada na sinopse, e eu a considero um spoiler, portanto não irei mencionar. Leia a sinopse por sua própria conta e risco. De qualquer maneira, saber isso não vai prejudicar tanto a leitura: a partir do momento em que a história dá essa cambalhota, tudo só acelera e as coisas vão ficando mais sujas e violentas, a adrenalina sobe a níveis críticos e tudo culmina em um clímax perfeito. Eu, que sempre achei repetitivos e sem graça aqueles filmes de ação sobre traficantes, perseguições e coisas assim, nunca achei que fosse gostar tanto de uma história com os mesmos elementos. Talvez seja a forma como Winslow a construiu que faça toda a diferença. Esse foi o livro adulto que me fez voltar a shippar – Chon, Ben e O é o que? Cheno? – novamente. Esse livro acabou e eu fiquei com tanta vontade de mais que minha reação ao descobrir Kings of Cool foi mais ou menos a da irmã da Chloe.

E como menção honrosa: O filme é dirigido pelo Oliver Stone, o mesmo de Natural Born Killers. Tem John Travolta, Salma Hayek e ninguém menos que Aaron Taylor-Johnson, Taylor Kitsch e Blake Lively como o trio muito mais que shippável. Vem ver o trailer (link), que o filme é ótimo!




Don Wislow
Editora Intrínseca
ISBN: 9788580575484
1ª edição - 2014
352 páginas
Encontre na Saraiva

Sinopse:
Frank Machianno é um assassino de aluguel. Um assassino de aluguel aposentado, na verdade. Quando estava na ativa, era conhecido como Frankie Machine, mas os dias de crime ficaram no passado e ele leva uma vida tranquila no litoral de San Diego, onde é conhecido por ser um empresário comprometido e um pai e ex-marido exemplar. Quando, porém, o filho do atual chefe da máfia lhe pede um favor, Frank se vê obrigado a atender, e as ameaças de sua antiga profissão voltam a atormentá-lo. Alguém do passado o quer morto e Frank precisa descobrir quem e por quê. O problema é que o rol de candidatos é tão extenso quanto a lista telefônica da Califórnia e o tempo de Frankie está acabando. Ao retratar com riqueza de detalhes a violência inata ao mundo da máfia, Don Winslow construiu um thriller magnífico, repleto de ação e de personagens carismáticos. Combinando bom humor, inteligência e dinamismo, O inverno de Frankie Machine transporta o leitor para os cenários quentes de San Diego e da cultura surfista, com o auxílio de um anti-herói cativante.

Antes que eu pusesse as mãos no meu tão desejado Kings of Cool, recebi da linda da Intrínseca O Inverno de Frankie Machine, que foi um dos lançamentos da editora em junho de 2014. O livro tem um tom bastante diferente de Selvagens e talvez tenha sido a minha expectativa de ler algo como ele que contribuiu para que eu ficasse um pouquinho meh com essa segunda leitura.

O Inverno de Frankie Machine começa com uma pegada diferente de Selvagens. Ao mesmo passo que ele tem um ritmo que demora um pouco mais a engrenar, aqui Winslow está mais sarcástico do que antes. Frank Machianno, o nosso protagonista, é dono de uma loja de iscas no litoral californiano. É um homem que já não é mais tão jovem, que surfa pela manhã com mais alguns tiozões antes que a molecada encha a praia, e que mantém sistematicamente a sua rotina. Tem cronometradas as suas horas de sono, o tempo para se vestir, tomar banho e preparar o café da manhã. Workaholic é o nome do meio de Frank. Além de ser o dono de sua loja de iscas, ele é um empresário, tem uma série de investimentos pela cidade e faz questão de manter o olho em tudo. O que demora um pouco a ser revelado é que Frank, quando mais jovem, foi conhecido como Frankie Machine e trabalhava com a máfia como matador de aluguel.

Esse lado de ex-mafioso aposentado é um dos temperos mais divertidos da história. Winslow troca de pontos de vista o tempo todo, sem separação nem aviso prévio. Num parágrafo é ele, narrador onisciente em terceira pessoa, no outro é Frank, narrando de seu próprio ponto de vista. Frank faz algumas referências à cultura pop, principalmente ao Poderoso Chefão, ícone do cinema e primeira coisa de que muita gente se lembra quando se fala de máfia. Frank deve ter sido o meu primeiro anti-herói na literatura. Ao mesmo tempo que não gosto muito dele por ser tão chato, metódico e quadrado em algumas coisas, não consigo não adorar ele virado no Jiraya, badass como ele só.

A partir do momento em que Frank sofre um atentado, acaba se vendo obrigado a se meter com a máfia novamente para descobrir o mandante de sua morte. Don Winslow parece ter uma fórmula que dá muito certo para suspenses de sucesso. Sol californiano, sexo e drogas em abundância, violência até dizer chega, pitadas de acidez e sarcasmo e uma trama que começa tranquila até virar do avesso, dar piruetas e tornar-se uma correria deliciosa livro adentro. Graças a esse homem, eu estou gostando cada vez mais de histórias sobre a máfia e, depois deste livro, vou me atirar nos filmes d’O Poderoso Chefão e em todo outro livro de Winslow que eu vir pela frente.

Garota Exemplar, de Gillian Flynn

Gillian Flynn
ISBN: 9788580572902
448 páginas (1ª edição - 2013)
Editora Intrinseca
Encontre na Saraiva.

Sinopse:
Uma das mais aclamadas escritoras de suspense da atualidade, Gillian Flynn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise.
Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino?
No ano passado, ganhei de presente o livro Garota Exemplar, que, então, era um lançamento recente da Intrínseca. Mas o livro acabou indo parar na minha não tão pequena pilha de livros a serem lidos e lá ficou por meses. Já faz mais de um ano que o ganhei e só agora fui lê-lo, e estou me odiando por ter deixado este livro incrível acumulando pó por esse tempo todo.

Este ano tem sido muito bom em termos de leituras. Já experimentei alguns gêneros e autores bem diferentes daqueles com os quais estou acostumado, e Gillian Flynn e seu livro estão entre eles. Acho que Garota Exemplar foi meu primeiro mistério propriamente dito. Nunca li Agatha Christie – crucifiquem-me –, mas o sentimento que tive lendo Flynn foi o mesmo sobre o qual já vi as pessoas comentarem ao ler os livros dela: aquele desejo imenso de dar uma espiada na página final pra finalmente saber como a trama se resolve. A curiosidade estava me matando durante a leitura.

Garota Exemplar é contado em primeira pessoa, em capítulos alternados entre a visão de Nick Dunne e a de sua esposa, Amy Elliot (Dunne). A história começa no dia do quinto aniversário de casamento do casal, que é também o dia em que Amy desaparece. Os capítulos de Nick nos contam o presente, o desenrolar das investigações e toda a comoção que o sumiço de sua esposa causou, enquanto os de sua esposa são constituídos de entradas de seu diário, flashbacks de anos anteriores ao acontecido. Amy nos conta a história de seu casamento com Nick, desde o dia em que os dois se conheceram. É muito difícil falar sobre a destreza com que a autora construiu a história sem a estragar para os futuros leitores. À medida que os capítulos vão passando, as investigações começam a apontar na direção de Nick. A polícia e todos começam aos poucos a achar que ele matou a esposa.

Gillian Flynn é GENIAL. No decorrer da história, ela brinca com a cabeça do leitor, nos fazendo desconfiar ora de um, ora de outro, para então nos puxar o tapete com um puta plot twist. As entradas no diário de Amy vão ficando mais recentes à medida que a história avança, e o leitor sabe que chegará um momento em que elas chegarão ao “Dia do” – que é como o livro chama a data em que Amy desapareceu. Isso contribui para aumentar o suspense – como se fosse mesmo necessário –, além da investigação policial sobre o desaparecimento e algumas entradas suspeitas no diário que nos fazem desconfiar ainda mais de Nick. A pergunta que permeia a nossa cabeça na maior parte do tempo durante a leitura é: afinal, ele matou ou não matou a esposa?

Gillian Flynn construiu personagens absurdos. Todos são milimetricamente calculados e executados com maestria. Nick, que conhecemos muito bem durante a primeira metade do livro, é um ótimo exemplo disso. É uma figura complexa, com um background bem sólido, com vontades que o movem, com sentimentos, com qualidades, defeitos, vergonhas, orgulhos e, é claro, segredos. Em seus capítulos, ele não confessa se matou ou não, mas também não deixa de levantar suspeitas sobre si mesmo. O livro foi bem orquestrado nesse sentido, para conduzir o leitor numa trilha crescente de suspense que tem um ápice que não é desse mundo. Ao concluir a leitura e pensar sobre a história, é possível ver o quão bem pensado e organizado foi o livro. O quão bem Gillian Flynn o executou para brincar com a nossa mente, confundir-nos para encerrar tudo com uma pancada na cabeça digna de Mr. Punch. “É assim que se faz!”. Esse livro foi um dos melhores que li em tempos e, por um momento, ameaçou tirar o trono de Precisamos falar sobre o Kevin de melhor leitura do ano. Garota Exemplar definitivamente me tirou a vontade de me casar, e me deixou com um pouco de medo das pessoas – e, talvez, da autora também.

Garota Exemplar vai ganhar ainda este ano sua adaptação para o cinema, que recentemente teve segundo trailer liberado. Você pode conferi-lo aqui.


Quem ficou com vontade de ler o livro põe o dedo aqui, que já vai fechar pode comemorar, porque nós vamos sortear um exemplar dele, em parceria com a Editora Intrínseca! \o/ 

Para participar, você só precisa preencher o formulário no rafflecopter aqui embaixo e seguir estas regrinhas:
- Curtir a nossa fanpage no facebook.
- Compartilhar a imagem da promoção (lembre-se de fazê-lo em modo público).
- Ser seguidor do blog.
- Ter endereço de entrega no Brasil.


PROMOÇÃO ENCERRADA!

Nosso vencedor foi o Renan Esteves. Renan, nossa equipe entrará em contato com você o mais rápido possível pra pegar o seus dados, e o livro será enviado diretamente pela Editora Intrínseca. Esperamos que goste! ;) E, pra quem não ganhou, fiquem ligados que em breve tem mais!

Briga de Cachorro Grande, de Fred Vogelstein

Fred Vogelstein
Briga de Cachorro Grande: Como a Apple e o Google Foram à Guerra e Começaram um Revolução
ISBN: 9788580575200
Editora Intrinseca
576 páginas
1ª edição (2014)
Encontre no Submarino e na Saraiva.

Sinopse:
No começo dos anos 2000, quando o envio de SMS pelo celular ainda era novidade, dezenas de empresas disputavam o mercado de dispositivos móveis. Hoje, apesar da variedade de smartphones, tablets e aplicativos, dois nomes dominam a cena: Apple e Google - que agora ameaçam eliminar uma à outra. Na era de Androids e iPhones, as duas companhias estão em confronto não só no mercado, mas também nos tribunais e nas telas de todo o mundo.
O jornalista Fred Vogelstein acompanhou essa rivalidade desde o começo. Ele nos leva aos escritórios e salas de reunião das gigantes da tecnologia e descreve um mundo de alianças obscuras onde funcionários são sistematicamente pressionados além do limite e o único objetivo é vencer. Vogelstein mostra o que está por trás das acusações de plágio, dos acordos controversos e dos processos judiciais que determinarão a maneira como nos comunicamos. Ele relata, por exemplo, que o atual presidente executivo do Google, Eric Schmidt, foi desligado do conselho de administração da Apple por suspeita de espionagem em 2007, que o protótipo do iPhone 4 já foi esquecido num bar e que Jobs tentou algumas manobras para frear o uso da tecnologia multitoque pelo Google.
Em Briga de Cachorro Grande, uma obra repleta de detalhes inéditos e surpreendentes, o autor revela que não importa saber qual aparelho substituirá nossos celulares e laptops, mas quem controlará o conteúdo nos dispositivos móveis que passaram a fazer parte do nosso dia a dia. Esta não é uma simples história de batalha corporativa; é um relato de amizades desfeitas, traições e trapaças, e o que está em jogo é o futuro da informação e da mídia.

Briga de Cachorro Grande é um lançamento da Intrínseca – não mais tão lançamento assim (risos). Um livro técnico sobre a revolução causada no mercado de eletrônicos com a criação do iPhone e do Android.

Como livros técnicos definitivamente não são tão atrativos ao público do blog, devo dizer com antecedência que todos os que gostam de tecnologia e afins deveriam dar uma chance a este aqui.

Sobre o enfoque: o livro vai narrar os acontecimentos desde 2002 até os últimos anos, com a criação do iPhone da primeira geração até o iPad. Vai incluir no texto trocentas entrevistas e até uma grande quantidade de dados técnicos, mas tudo muito bem espalhado e de forma alguma cansativo.

Briga de Cachorro Grande vai falar sobre Google e Apple – além de suas parceiras, como Nokia, Sony, etc –, não defendendo ou acusando uma ou outra, mas expondo verdades sobre ambas; da cópia de ideias, do intercâmbio de informações confidenciais, das falhas técnicas nas apresentações dos produtos e muito mais. Tudo de uma forma intensa e simples, o livro pode ser lido como um romance.

Eu curso um técnico em administração e me interesso bastante por histórias de empresas de sucesso, ainda mais empresas de um campo que me atrai tanto quanto o de tecnologias, então foi ótimo poder conciliar as referências que obtive com o prazer de ter lido tal “história”.

Como já disse antes, Briga de Cachorro Grande é um livro técnico para ser lido por todos. Uma narrativa singular, muito mais dinâmica que a de muitas biografias e definitivamente indispensável a qualquer um que queira argumentar a respeito das gigantes do mercado.

Ourives entrevista: Karen Harrington - Claros sinais de loucura, primeiras experiências como escritora e MAYDAY

Nós contatamos Karen Harrington, autora do livro Claros Sinais de Loucura – vem ver a nossa resenha! –, através do twitter. Após conseguir o apoio de nossa editora e tradutora Lígia, decidi aproveitar a oportunidade para entrevistá-la. Surpreendi-me com a receptividade dela. Tão cativante quanto sua protagonista, Karen é capaz de conquistar a admiração de qualquer leitor. 

Confira a seguir a entrevista onde a autora divide suas primeiras experiências como escritora, conta algumas curiosidades de Claros Sinais de Loucura e revela detalhes sobre Mayday:

Fiz uma breve comparação entre você e o escritor John Green em minha resenha. Ambos conseguem induzir os leitores a grandes reflexões sobre a própria vida. Ao escrever Claros Sinais de Loucura, você pretendia chegar a esse nível tão alto de complexidade? Qual foi o seu real objetivo?
Como surgiu a ideia do livro? Existe algo de biográfico?
Primeiramente, obrigada pelo elogio da comparação com John Green, um dos meus autores favoritos. Essa é uma grande honra!
Se eu puder, gostaria de responder aos dois primeiros conjuntos de perguntas juntos, porque eles são tão inter-relacionados. Inicialmente, eu comecei a escrever esse livro por causa de uma carta que eu recebi de um leitor do meu primeiro livro, Janeology. Esse livro conta a história de Jane Nelson, o crime que ela cometeu e como esses eventos trágicos impactaram para sempre sua família. Um leitor escreveu para mim questionando sobre o que teria acontecido à filha de Jane Nelson, Sarah.
Esse pensamento me intrigou por muitos meses! Eu acabei decidindo explorar o que aconteceu dez anos depois do famoso crime em Janeology. Eu comecei a escrever o livro sem pensar sobre o gênero ou grupo etário. Eu só queria ver como uma menina jovem lidaria com estar nas sombras de um progenitor infame. Meu único objetivo era expor a história dela e chamar atenção para uma menina que poderia encontrar compaixão por sua mãe de alguma forma. Surpreendeu-me um pouco descobrir ainda que Sarah encontraria compaixão por seu pai também.
Você é fã de O Sol É para Todos assim como a protagonista? O que te fez incluir essa característica na personagem? Existe algum significado especial para tal escolha?
Sim, eu fui fã de O Sol É para Todos a vida inteira. A história significava muito pra mim quando eu era uma jovem estudante, mas aí significou mais ainda quando eu a li como mãe. Eu sempre fui impressionada com o quão sábio Atticus Finch era e pensava que ele era realmente o pai ideal. Então, quando estava escrevendo esse livro, eu sabia que Sarah naturalmente também amava Mockingbird. (Essa provavelmente é a maior coisa que eu tenho em comum com essa personagem, além de ficar em pé no toco de árvore do meu quintal da frente e espiar os vizinhos quando eu era menina!) Eu queria que Sarah também se conectasse com um progenitor ideal, mesmo se ele só existisse no papel. Eu sabia que Atticus daria a ela muita esperança. Eu sabia que ela tiraria tanto daquele livro, assim como milhões de leitores fizeram ao longo das décadas
Consta em sua biografia que você começou a escrever no ensino fundamental. Quando você percebeu que esse dom se transformaria em um trabalho tão prazeroso?
Para mim, escrever sempre foi um escape, uma forma de expressar meus pensamentos e sentimentos. Meu professor de inglês da sexta série era um autor publicado e foi uma grande inspiração pra mim. Ele me fez querer escrever! E aí ler grandes livros me fez querer escrever. Eu acho que a maioria dos escritores escreve porque ama livros. Eu me sinto tão abençoada por poder continuar a escrever em tempo integral agora.
Karen sendo uma querida com as fãs
Por que você escolheu o gênero infanto-juvenil?
Por mais que eu não tenha escolhido escrever para crianças e adolescentes, agora eu acredito que escrever para essa audiência me escolheu! É engraçado como a vida frequentemente te dá presentes que você nem sabia que queria ou precisava, mas eu suponho que é assim que é com a minha escrita. Como eu aludi na sua outra pergunta, eu não me propus a escrever para nenhum grupo etário. Eu comecei a escrever a história de Sarah Nelson meramente pela minha curiosidade sobre sua vida. Mas eu tenho muito amor por histórias de amadurecimento e, agora que eu recebi a chance de escrever mais delas, eu me sinto muito abençoada.

Foi fácil escrever o seu primeiro livro ou você precisou passar por vários obstáculos internos? O pessimismo costuma te afligir?
Escrever meus primeiros livros não foi terrivelmente difícil, mas eles também não eram muito bons. Ha! (Eles não foram publicados.) Quanto mais eu escrevia, mais eu percebia que escrever se trata de edição. Eu amo o processo de edição e sou muito disciplinada agora. Minhas partes favoritas da escrita são espalhar todas as partes e pedaços como uma colcha de retalhos gigante. Gosto de mover as peças até que eu tenha criado o efeito e design que objetivo. Essa é a melhor parte do processo criativo.
Eu geralmente sou uma pessoa bem otimista. Você pode dizer também que eu sou uma grande sonhadora, e isso me ajudou em minha vida. De qualquer jeito, como a maioria dos escritores, eu passo sim por ciclos de dúvida e luta com a escrita. Eu aprendi que isso também é parte do processo. Isso me pressiona a me esforçar mais. Trabalhar mais. Aprender mais.
Como é o seu processo de escrita? Costuma ter bloqueios criativos? Se sim, o que faz para superá-los?
Para mim, eu não escrevo um esboço inteiro da trama. Eu gosto de ser surpreendida e descobrir onde a história está me levando enquanto eu escrevo. Eu gosto de me familiarizar com os personagens primeiro, então eu começo mantendo um diário e escrevendo anotações curtas escritas por cada personagem para conhecer seus pensamentos e sua voz. Isso foi tão divertido de fazer com Sarah Nelson!
Eu não sofro de bloqueios criativos, mas tenho medos. Eu tenho que passar pelos medos para continuar escrevendo. É preciso muita coragem para concluir uma história e saber que ela vai ser criticada e julgada. Mas, se você quer escrever, você tem que fazê-lo. A melhor forma que eu conheço de superar isso é sentar e dizer a si mesmo “Ok, só escreva 500 palavras hoje. Isso é tudo que você tem que fazer. Quinhentas palavras e você pode parar.” Fazer esse exercício ajuda bastante.

“O gênio (leia-se: escritor/autor) é um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração.” Concorda?
Eu amo essa citação! Sim, concordo. Acho que, com qualquer forma de expressão artística, o artista começa com inspiração e aí tem que fazer o trabalho duro. Muito do processo criativo é só ser disciplinado e aparecer na escrivaninha do escritor ou no estúdio do artista todos os dias. Eu digo aos meus filhos o tempo todo que escrever não é diferente de aprender a tocar um instrumento musical ou jogar um esporte. Uma pessoa não senta e simplesmente começa a tocar piano lindamente sem primeiro passar muitas aulas praticando. Um corredor de maratona não simplesmente aparece no dia da corrida e compete sem treinar por meses e meses. É a mesma coisa com a escrita. Muitas horas de transpiração e prática fazem parte do trabalho. Para todo livro completo, um escritor escreve duzentas mil palavras de prática primeiro.
Poderia nos dizer um pouquinho sobre Mayday?
Obrigada por perguntar sobre esse novo livro. Eu estou muito animada com ele. Mayday é a história de um jovem sobrevivente de um acidente de avião e sua busca para recuperar duas coisas que perdeu no acidente: sua voz e a bandeira americana que estava levando para casa do funeral de seu tio. Ao mesmo tempo, ele está tentando entender onde se encaixa, no que acredita sobre patriotismo e o real significado do que é bravura.
Muito obrigada mais uma vez por me convidar ao seu blog hoje!
Karen Harrington é autora dos livros "Courage for Beginners" (2014, Little Brown Books) e "Sure Signs of Crazy" (2013, também lançado pela Little Brown Books), este lançado no Brasil em 2014 pela Intrínseca como "Claros Sinais de Loucura". Saiba mais sobre o livro no site da Intrínseca. Conheça o site da autora: karenharringtonbooks.com




Especial Seriados: 3 grandes estreias da summer season


2014 tem sido um ano movimentado para a TV. Tivemos uma porrada de seriados cancelados, alguns retornando e muitas, muitas estreias. A temporada de verão lá no hemisfério norte já começou e, das próximas estreias, separei três que têm me despertado a curiosidade ultimamente e estrearão nas próximas semanas.
A primeira delas, cujo lançamento da segunda temporada ocorre hoje, é Orange is the New Black. Embora eu ainda não tenha começado a acompanhar, participo de um grupo de discussão de seriados no Facebook e ouço falar muito bem da série. Em todo lugar que se procura sobre o seriado, encontramos escrito em letras grandes e garrafais que ele foi criado pelas mesmas mãos que criaram Weeds. Este sim eu já assisti, e era um seriado que me fazia rir muito. Aparentemente, Orange is the New Black balanceia os momentos cômicos e dramáticos muito bem, e esse trailer da segunda temporada me deixou curioso pelos barracos todos. Quem não adora um, né? De cara, o elenco me parece bem maneiro em questão de performance. Inclusive, a editora Intrínseca está lançando nesse mês o livro homônimo que deu origem à série e que conta a história real de Piper Kerman. Saiba mais sobre o livro, visite a página de Orange is the New Black no Netflix e confira o trailer da segunda temporada, que começa 06/06.


Para a segunda estreia que quero comentar não há um burburinho tão grande assim. Under the Dome também está retornando com sua segunda temporada, com lançamento oficial dia 30 de junho (uma segunda-feira) no canal americano CBS. Vi a primeira temporada dividir opiniões entre quem a acompanhou. Tenho colegas que leram o livro e detestaram a série, mas outros que também leram e amaram – assim como existem os que não conhecem a história original e estão igualmente divididos em opinião. Eu, como fã muitas vezes xiita de Stephen King, gostei pra caramba da primeira temporada, mas consigo entender a revolta e as reclamações de quem não gostou. A história, planejada para render várias temporadas, já teve desde o começo algumas divergências em relações ao livro, e elas só vieram a aumentar com o desenrolar da temporada. É uma das primeiras vezes que eu consigo observar livro e adaptação como duas obras distintas e gostar de ambos separadamente. O seriado deve se distanciar mais do livro nessa temporada, mas eu me tranquilizo pelo envolvimento do próprio Stephen King na produção. Visite a página de Underthe Dome na CBS e confira o teaser da segunda temporada, que estreia em 30/06. Leia também a nossa resenha de Sob a Redoma.


E por último, mas não menos importante, o seriado que provavelmente é a minha maior aposta e esperança para esse ano. The Strain é a adaptação para a TV da Trilogia da Escuridão, escrita por Guillermo Del Toro e Chuck Hogan, que estreia no canal americano FX no domingo, dia 13 de julho. A trilogia conta a história de uma pandemia que toma conta de Nova Iorque. Seguimos Eph, um médico do CDC que se envolve na tentativa de conter um vírus que chega à cidade em um avião onde todas as pessoas à bordo estão mortas. O primeiro livro da série já teve resenha aqui no blog, e eu ainda preciso ler a conclusão da trilogia, mas sou um fã desesperado. A mitologia que os dois autores criaram como pano de fundo para os vampiros da epidemia é sensacional, e os infectados – os vampiros – sozinhos já são sensacionais. Estou com expectativas altíssimas para o seriado, o que nem sempre é uma boa coisa, mas não consigo não colocar fé nesse projeto que está sendo desenvolvido pelo próprio Del Toro. O FX vem liberando uma série de teasers para os quais eu só tenho essa reação. Visite a página de The Strain no site do FX e confira abaixo a compilação de todos os teasers lançados até agora.

O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman

Neil Gaiman
Romance
ISBN: 9788580573688
Editora Intrínseca
Formato: 14x21
208 páginas

Sinopse:

Sussex, Inglaterra. Um homem de meia-idade volta à casa onde passou a infância para um funeral. A construção não é mais a mesma, e ele é atraído para a fazenda no fim da estrada, onde, aos sete anos, conheceu uma garota extraordinária, Lettie Hempstock, que morava com a mãe e a avó. Ele não pensava em Lettie há décadas, mas mesmo assim, ao se sentar à beira do lago (o mesmo a que ela se referia como um oceano) nos fundos da velha casa de fazenda, o passado esquecido volta de repente. E é um passado estranho demais, assustador demais, perigoso demais para ter acontecido de verdade, especialmente com um menino.
Quarenta anos antes, um homem cometeu suicídio dentro de um carro roubado no fim da estrada que dava na fazenda. Sua morte foi o estopim, com consequências inimagináveis. A escuridão foi despertada, algo estranho e incompreensível para uma criança. E Lettie – com sua magia, amizade e a sabedoria digna de alguém com muito mais de onze anos – prometeu protegê-lo, não importava o que acontecesse.
Trabalho revolucionário de um mestre da literatura, O oceano no fim do caminho demonstra um raro entendimento daquilo que nos torna humanos, e mostra o poder que as histórias têm de revelar e, ao mesmo tempo, de nos proteger dos perigos dentro e fora de nós. É uma fábula emocionante, assustadora e melancólica. Um convite a repensar a escuridão que espreita as memórias da infância.

Extraordinário, de R. J. Palacio

  “Não julgue um livro menino pela capa cara” é o lema da obra que veio para suceder Harry Potter: um infantil para todas as idades.

           

             Palacio conta a história de August (Auggie), uma criança que ganhou na loteria genética e possui uma grave doença que provocou nele uma deformação facial muito grande.
            Auggie passou por dezenas de cirurgias, então suas aulas aconteciam em sua casa, mas, agora, August está se encaminhando para a segunda parte do Ensino Fundamental (o equivalente à nossa 5ª série/6º ano). Ele irá, pela primeira vez na vida, ter aulas em uma escola normal, com crianças normais.
            Palacio enredou excelentemente bem uma trama com muito drama e humor e que envolve preconceito, bullying e a ignorância humana (que pode vir das mais diversas pessoas, não somente de crianças). Além disso, há também uma apaixonante inocência, por parte de Auggie, em não compreender o ódio que recebe gratuitamente de pessoas que nem o conhecem.
            Um ponto positivo no livro é a troca de pontos de vista. Com ela, podemos ver a realidade de Auggie de várias formas e entender como sua doença pode modificar toda a comunidade ao seu redor. Podemos, por exemplo, saber como é que a sua irmã, Via, entende a realidade de Auggie – e como ela é afetada, perdendo, por exemplo, a atenção exclusiva dos pais.
            Uma das minhas melhores leituras de março (e olha que esqueci dela no vídeo de leituras), Extraordinário me trouxe várias reflexões que ainda não acharam suas respostas, como “por quê somos o tipo de espécie que se fragmenta, se conflita e se destrói?”. Coisas que só um livro 5 estrelas – ou seriam diamantes? – proporciona.
            Com capítulos curtos e dinâmicos, além de um enredo pacientemente pensado e com acontecimentos aos seus tempos, Extraordinário é uma leitura super recomendada e serve – testada em laboratórios, mas não – para curar ressacas literárias, inclusive!
            Encontre as melhores ofertas para este livro aqui.